Nossa Política

Ditadura militar: 10 relatos chocantes sobre a tortura

Ditadura militar: 10 relatos chocantes sobre a tortura
Ditadura militar: 10 relatos chocantes sobre a tortura
A ditadura militar torturou até crianças, como o caso do bebê Carlos Alexandre Azevedo, de 1 ano e 8 meses, torturado na frente dos pais para que confessassem o seu suposto crime.

Os diversos relatos de pessoas que sofreram tortura e daqueles que confirmaram a sua imposição são chocantes. O período mais obscuro da história Brasil pode ser visto pelo horror e sofrimento até de crianças.  Confira alguns destes relatos:

O DOI-Codi era um espaço da barbárie. Meu pai foi torturado na minha frente e morreu por causa disso. Não suportou as torturas. Não pude fazer nada. Fiquei um mês lá sendo torturado, apanhando.

Ivan Seixas, preso com o seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, no Destacamento de Operações de Informações do II Exército, na capital paulista em 1971. Ivan tinha apenas 16 anos.

Eu realmente não tinha esperança de sair vivo. Foram mais de dois meses de torturas diárias, que iam do pau de arara a choques elétricos. E eles me ameaçavam o tempo todo, dizendo que eu faria uma viagem sem volta. Realmente me levaram certa vez em um avião da FAB para Brasília, mas só descobri meu destino durante uma comunicação da torre de comando.

Ex-militante Alanir Cardoso ficou preso por três meses no DOI do IV Exército, em Recife, e diz ter sido torturado por dois meses.

“Pediam que eu escrevesse numa folha de papel dez nomes de pessoas que eu achava importantes e eu repetia dez vezes o nome de meu avô. Então eles tocavam um mi, bem agudo, com uma corneta quase colada ao meu ouvido. Uma vez a cornetada foi tão alta que lembro de ter acordado já na minha cela”

Ex-presa política Martha Alvarez.

Ficávamos agachados e o cheiro de fezes era terrível. Além da punição, os algozes queriam que fôssemos vistos ali por nossas companheiras, que de suas celas conseguiam nos ver.

Ex-preso Umberto Trigueiros Lima.

“A gente era cercada nua, por homens ameaçando de abuso sexual o tempo todo”.

Iná Meireles na Base Naval de Ilha das Flores, no município de São Gonçalo (RJ).

Naquela época não existia DNA, concorda comigo? Então, quando o senhor vai se desfazer de um corpo, quais são as partes que, se acharem o corpo, podem determinar quem é a pessoa? Arcada dentária e digitais, só. Quebravam os dentes e cortavam os dedos. As mãos, não. E aí, se desfazia do corpo.

A revelação foi feita pelo tenente-coronel reformado Paulo Malhães, poucos dias antes de ser assassinado, em 2014.

Eles me colocaram em um tambor de metal e me trancaram ali pelado. E soltaram o tambor de um morro, machuca muito, bate em pedra e tudo o que é coisa.

Manoel Messias Guido Ribeiro, ex-soldado do Exército, em depoimento à CNV sobre treinamento para o combate à Guerrilha do Araguaia, em 17 de setembro de 2014.

Carlos Alexandre não parou de chorar após a invasão da casa pela polícia. Para que ficasse quieto, um dos agentes da repressão deu-lhe um soco na cara, que ficou sangrando.

Filho do jornalista e cientista político Dermi Azevedo e a pedagoga Darcy Azevedo, acusados pelo regime de dar guarida a militantes de esquerda, o bebê de 1 ano e 8 meses passou mais de quinze horas sofrendo as sevícias da tortura como forma de convencer os pais a confessarem os supostos crimes. Em 2013,  Carlos Alexandre suicidou-se com uma overdose de medicamentos. 

“Meu filho tinha soluços na barriga. […] [Até hoje,] qualquer tensão, ela se manifesta com soluços”.

Criméia Schmidt de Almeida que, grávida de seis meses, foi espancada no pau de arara e ouviu várias ameaças de que seu filho seria sequestrado após o nascimento. Depoimento foi prestado à Comissão da Verdade, em 2012. 

“Pode me torturar, mas ela está grávida”.

O pedido do marido da professora Izabel Fávero não impediu que ela sofresse torturas com choques elétricos ao longo de cinco dias – nos órgãos genitais, nos seios, nos dedos e atrás das orelhas até abortar, em 1971.

Escreva um comentário

Categorias