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Editorial | O ódio das milícias virtuais

Editorial | O ódio das milícias virtuais
Editorial | O ódio das milícias virtuais
Quando o alvo era simplesmente o PT, estava tudo bem. Agora as milícias virtuais patrulham ministros do STF, disseminam ameaças, expõem os seus familiares.

O Supremo Tribunal Federal (STF) assistiu inerte ao surgimento de um messianismo desenfreado que começou com a Operação Lava Jato e terminou com eleição de Jair Bolsonaro.

O mote da “luta contra a corrupção” mobilizou uma parte da população que vê as iniciativas dos procuradores do Ministério Público Federal no Paraná com certo ufanismo.

E este ufanismo é compartilhado todos os dias nas redes sociais com uma pitada de ódio contra qualquer pessoa ou instituição que se coloque contra as decisões da Lava Jato. Para eles, todas as ações da República de Curitiba são inquestionáveis, porque é preciso manter o trabalho e a incansável luta contra os corruptos.

É notável que os apoiadores da operação são também apoiadores de Jair Bolsonaro. É quando os grupos virtuais se transformam em verdadeiras milícias para atacar a imprensa, o STF, a  esquerda, qualquer pessoa ou instituição que pense diferente.

As eleições mais polarizadas da história do Brasil deixaram resquícios de um ódio faz sangrar a democracia. Durante toda a campanha, a atuação de robôs na discussão de assuntos nas redes sociais foi solenemente ignorada pelo TSE.

A disseminação de fake news foi vergonhosa. Como bem disse o ator e diretor Wagner Moura, a mamadeira de piroca ganhou as eleições no Brasil. De kit gay a ataques diretos à honra de adversários, as milícias virtuais espalharam mentiras que induziram brasileiros a decidir o seu voto.

No Twitter, estas milícias pautam discussões ao levar hashtags para o trendig topics. Muitas delas são mobilizadas por robôs e perfis fakes. Por isso, muitas vezes um assunto como a liberação da rinha de galo no Brasil está no topo das discussões na Bielorrússia.

Quando o alvo era simplesmente o PT, estava tudo bem. Agora as milícias virtuais patrulham ministros do STF, disseminam ameaças, expõem os seus familiares. Falam até em extinguir a Suprema Corte.

Nesta semana, entretanto, o STF cortou as asas da Lava Jato. E pediu investigação sobre as milícias virtuais e ataques de membros do MPF. Talvez seja o primeiro passo para suprimir um messianismo que ultrapassou todos os limites.

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