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18 mulheres negras que lutaram contra a escravidão

18 mulheres que lutaram contra a escravidão
Aqualtune seria mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares
De Dandara dos Palmares a Nzinga, a luta de mulheres negras contra a escravidão no Brasil resultou em conquistas históricas e desafios para as futuras gerações.

NOSSA POLÍTICA publica os perfis de 18 mulheres negras que lutaram contra a escravidão no Brasil:

1. Dandara dos Palmares

É uma das líderes mais conhecidas no Brasil. Lutou contra a escravidão em Palmares. Foi contra a proposta da Coroa Portuguesa em condicionar as reivindicações dos quilombolas. A guerreira morreu durante a disputa no Quilombo dos Macacos pertencente ao Quilombo de Palmares, onde vivia também seu marido, Zumbi dos Palmares.

2. Anastácia

Ajudou escravos quando eram castigados, ou facilitando a fuga. Certa vez, lutou contra a violência física e sexual de um homem branco, por isso, recebeu o castigo de usar um mordaça de folha de flandres e uma gargantilha de ferro. Apesar de viver na Bahia e em Minas Gerais foi levada para o Rio de Janeiro no fim da vida, lá atribuíram vários milagres durante sua estadia.

3. Luiza Mahin

Luísa Mahin, também grafada como Luíza Mahin, ou ainda Luíza Mahim , nascida no início do século XIX, foi uma personagem da história do Brasil, uma ex-escrava de origem africana, radicada no Brasil, que tomou parte na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

Sua origem é incerta, não se sabe se teria nascido na Costa da Mina, na África, ou na Bahia. Membro do povo Mahi, de onde vem seu sobrenome, Luisa Mahin comprou sua alforria em 1812. Livre, tornou-se quituteira em Salvador. Ela teve um filho, o poeta e abolicionista Luís Gama, que a descreveu como uma mulher baixa, magra, bonita, de dentes “alvíssimos, como a neve”, altiva, generosa, sofrida e vingativa.

Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. De seu tabuleiro, eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês(1835) e na Sabinada (1837-1838).

4. Tereza de Benguela

No Brasil, dia 25 de julho é comemorado o Dia de Tereza de Benguela em homenagem a líder quilombola. Era mulher do líder do Quilombo de Quarterê ou do Piolho, no Mato Grosso. Por lá, foram abrigados até índios bolivianos incomodando autoridades das Coroas espanhola e portuguesa. Tereza foi presa em um dos confrontos e como não aceitou a condição de escravizada suicidou-se.

5. Aqualtune

Aqualtune é, segundo a tradição, a mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Ela seria uma princesa africana, filha de um rei do Congo, Garcia II, cujo nome nativo era Nkanga a Lukeni a Nzenze a Ntumba, que governou entre 1641 e 1661.

Conta-se que Aqualtune ficara desesperada ao desembarcar no Recife e que teria tentado correr para o mar, uma tentativa desesperada para voltar à sua terra natal. Foi então levada para uma fazenda em Porto Calvo, no sul da Capitania de Pernambuco (atual estado de Alagoas), onde foi estuprada para dar origem a novos cativos de acordo com o interesse de seus donos. A fazenda onde ficara era especializada em gado e os senhores logos perceberam sua proximidade com outros escravos,por isso deixaram-na nas mãos dos piores homens do lugar.

Contudo, isso não foi suficiente para intimidá-la e deixar sua força de lado. Ao ouvir falar da resistência negra no país, formada por quilombos, Aqualtune sentiu-se atraída pelo movimento e juntou-se a outros negros. Fugiu da fazenda onde estava sendo escrava e foi lutar pela sua liberdade e de outros.

Com o passar do tempo tornou-se mãe de Ganga Zumba e logo depois avó de Zumbi dos Palmares. Já o fim de sua vida e data de sua morte são incertos, mas relatos apontam que seu falecimento veio ocorrer após anos como forte resistência da luta local. Há boatos de que Aqualtune morreu durante uma emboscada paulista para destruir o Quilombo dos Palmares, em um incêndio. Ainda existem outras vertentes que dizem que a guerreira teve seus últimos dias em paz descansando em outra comunidade.

6. Zeferina

Zeferina, segundo Maria Inês Cortes de oliveira no livro “O liberto: o seu mundo e os outros” tinha origem angolana e foi trazida criança ainda, uma vunje em desassossego de viagem transatlântica, na primeira metade do século XIX, encolhida nos braços da sua mãe Amália, para Salvador.

Registros dizem que ela foi uma importante liderança, responsável pelas estratégias de luta do quilombo. Assim, ela organizava índios e escravizados que fugiam. Mas, Zeferina tinha grandes planos e acreditava que era necessário se unir com os nagôs, invadir a cidade e matar os brancos escravocratas para constituir uma liberdade plena para todo o povo negro.

Planejava a invasão da cidade para o dia 25 de dezembro de 1826, no entanto, um acontecimento fez com que a revolta tivesse o seu início antecipado. Alguns capitães do mato tentaram surpreender, pensando que havia poucas pessoas na mata do Urubu, e se depararam com cinquenta mulheres e homens aquilombados com espingardas, facas, arcos e flechas e fações, que sobre o comando de Zeferina os derrotaram. Assim, três capitães do mato foram mortos e outros três saíram gravemente feridos. Após muita luta, Zeferina foi capturada e assassinada.

7. Maria Felipa de Oliveira

Foi líder na Ilha de Itaparica, Bahia. Aprendeu a jogar capoeira para se defender. Tinha como missão principalmente libertar seus descendentes e avós. Ficava escondida na Fazenda 27, em Gameleira (Itaparica), para acompanhar, durante a noite, a movimentação das caravelas lusitanas. Em seguida, tomava uma jangada e ia para Salvador, passar as informações para o Comando do Movimento de Libertação.

Foi uma mulher marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal.

8. Acotirene dos Palmares

Acotirene ou Arotirene (registrado em diversos documentos) deu nome a um importante mocambo situado no Quilombo dos Palmares, instalado no litoral dos Estados de Pernambuco e Alagoas, em homenagem a uma das primeiras mulheres que habitou o Quilombo dos Palmares e que exerceu grande influência na vida dos negros quilombolas. Como houve poucos registros documentais, segundo a oralidade perpassada de pais para filhos que contavam a história do Quilombo que resistiu por quase um século, ela foi uma das primeiras mulheres a habitar os povoados quilombolas da Serra da Barriga (AL), antes de Ganga-Zumba assumir o poder. Matriarca do Quilombo do Palmares, exercia a função de mãe e conselheiras dos/as primeiros/as negros/as refugiados na Cerca Real do Macacos. Era consultada para todos os assuntos, desde questões familiares até questões político-militares.

9. Adelina Charuteira

Era uma das líderes no Maranhão. Era filha de uma escravizada com um senhor, por isso, sabia ler e escrever. Apesar do pai, não foi libertada aos 17 anos, mas era ativamente parte da sociedade abolicionista de rapazes, o Clube dos Mortos. Para arrecadar dinheiro vendia charutos fabricados pelo pai, com essa articulação descobria vários planos de perseguição aos escravos.

10. Rainha Tereza do Quariterê

Foi guerreira no Quilombo do Quariterê, em Cuiabá. Comandou toda a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo. Mantinha até um sistema de defesa com armas trocadas com homens brancos ou resgatadas pelos escravizados.

Ajudou na ampliação de outros quilombos no Mato Grosso.

11. Mariana Crioula

Era mucama em Vila das Vassouras, Rio de Janeiro. Se juntou com escravizados na maior fuga de escravos da história fluminense em 5 de novembro de 1838. Liderou a fuga e um quilombo com Manuel Congo.

12. Esperança Garcia

Esperança Garcia era escravizada confiscada aos padres jesuítas, que, com a expulsão destes pelo Marquês de Pombal, passaram-na à administração do governo do Piauí. Esperança Garcia foi levada à força da Fazenda Algodões, perto de Floriano, para uma fazenda em Nazaré do Piauí. Em 6 de setembro de 1770, a escravizada dirigiu uma petição ao Presidente da Província de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos físicos de que era vítima, ela e seu filho, por parte do feitor da Fazenda Algodões.

13. Maria Firmina dos Reis

Negra, filha de mãe branca e pai negro, registrada sob o nome de um pai ilegítimo e nascida na Ilha de São Luis, no Maranhão, Maria Firmina dos Reis (1822 – 1917) fez de seu primeiro romance, Úrsula (1859), algo até então impensável: um instrumento de crítica à escravidão por meio da humanização de personagens escravizados.

“Em sua literatura, os escravos são nobres e generosos. Estão em pé de igualdade com os brancos e, quando a autora dá voz a eles, deixa que eles mesmos contem suas tragédias. O que já é um salto imenso em relação a outros textos abolicionistas”, conta a professora Régia Agostinho da Silva, professora da Universidade Federal do Maranhão e autora do artigo “A mente, essa ninguém pode escravizar: Maria Firmina dos Reis e a escrita feita por mulheres no Maranhão”.

14. Eva Maria de Bonsucesso

Eva Maria do Bonsucesso, mulher negra no século 19, se envolveu em uma briga com um homem branco e rico, dono de escravos, mas acabou inocentada do caso depois de conseguir testemunhas a seu favor.

15. Maria Felipa Aranha

Possivelmente proveniente da Costa da Mina, Felipa Maria Aranha nasceu entre os anos de 1720 e 1730. Teria sido capturada, ainda na juventude, por volta de 1740, e vendida como escrava para a praça de Santa Maria de Belém do Grão Pará.

Enviada a Cametá, foi trabalhar em uma fazenda escravagista, de plantação de cana-de-açúcar. Não se sabe como conseguiu escapar, porém, com centenas de outros negros, conseguiu formar um dos maiores e mais bem estruturados quilombos do Brasil, o Mola, nas cabeceiras do igarapé Itapocu, no território de Cametá.

Sua liderança militar conseguiu expulsar as forças portuguesas e as várias incursões de capitães do mato. Detinha também grande capacidade política, pois conseguiu estruturar uma entidade composta por cinco quilombos, a Confederação do Itapocu, que empreendeu severas derrotas às forças escravagistas.

Maria Felipa Aranha, liderou o quilombo do Mola, no Tocantins. O quilombo, fundado na segunda metade do século XVIII, era constituído por mais de 300 negros. Sob a liderança de Maria Aranha, viveram ali por vários anos sem serem ameaçados. 

15. Nã Agontimé

Pesquisas realizadas por Pierre Verger sugerem que Nã Agontimé teria sido enviada como escrava a São Luís do Maranhão – onde foi renomeada como Maria Jesuína – e seria a fundadora da célebre Casa das Minas. Ao chegar em São Luís do Maranhão, na costa brasileira, Maria Jesuína – mãe do herdeiro do trono do Dahomé – conseguiu dinheiro para comprar a liberdade e resolveu construir, mesmo em terras estrangeiras, um reino para que seu filho pudesse governar soberano.

Ná Agontime fundou o “Querebentã de Zomadunu” – conhecida como Casa das Minas-Jeje – e, construindo os altares, os templos e o estilo de vida que levava em sua terra natal, conforme suas tradições e preceitos, manteve-se à espera de que, um dia, seu filho, o príncipe Ghezo, pudesse receber o seu verdadeiro legado.

16. Tia Simoa

A Preta “Tia Simoa” foi uma negra liberta que, ao lado de seu marido (José Luís Napoleão) liderou os acontecimentos de 27, 30 e 31 de janeiro de 1881 em Fortaleza, Ceará, episódio que ficou conhecido como a “Greve dos Jangadeiros”, onde se decretou o fim do embarque de escravizados naquele porto, definindo os rumos para a abolição da escravidão na então Província do Ceará, que se efetivaria três anos mais tarde.

17. Zacimba Gaba

Era princesa angolana e acabou no Espírito Santo. Provocou uma revolta das pessoas escravizadas contra a Casa Grande e liderou um quilombo onde foi rainha.  Comandou durante anos ataques aos navios, surgindo no meio da noite em canos precárias para resgatar os negros escravos, a referência à sua morte seja em um desses enfrentamentos.

18. Nzinga

Hábil guerreira, Nzinga foi uma líder carismática, rainha que passou a vida combatendo e morreu sem nunca ter sido capturada. Enviada a Luanda (Angola) pelo seu meio-irmão e rei Ngola Mbandi, para negociar com os portugueses, foi recebida pelo governador-geral e pediu a devolução de territórios em troca da sua conversão para o cristianismo, recebendo o nome de D. Anna de Sousa. Não conseguindo a paz com os portugueses, fundou o modelo de resistência e de guerra que resultou nos quilombos. A sua história virou peça de teatro: ‘A comida de Nzinga’.

1 comentário

  • Boa tarde,
    muito interessante o artigo e a lista das mulheres que participaram de quilombos pra resistirem as atrocidades e readquirir a liberdade de seu povo. As referencias.
    Mas chamou minha atenção a Aqualtune seria mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares
    Esta fotografia pertence ao Instituto Moreira Salles, e ao me informar eles nada sabem sobre ela.Apenas crioula 1850 e o nome do fotografo Faço um trabalho de identificação no período colonial. Já identifiquei algumas etnia, nome, procedência, ocupação etc E encontrei em dois ou três sites esta mesma foto com no procedência etc. Só que no seculo XVII não havia fotografia no Brasil Colonia, como explicar? De onde vem a foto? Gostaria de um esclarecimento.
    Atenciosamente, Zélia

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