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‘Menos mobilizados do que galinhas’

'Menos mobilizados que galinhas'
‘Menos mobilizados do que galinhas’
Que exemplo nos dá as 3 mil galinhas francesas mobilizadas para atacar uma raposa jovem que invadiu o seu território?

De 2016 até aqui, o brasileiro perdeu muitos direitos. Prometeram uma reforma trabalhista para gerar mais empregos, o que não aconteceu; cortaram programas sociais com a história de que é preciso coibir a corrupção e combater privilégios, uma desculpa esfarrapada para tirar dos pobres a rede de proteção social; agora querem acabar com a aposentadoria do povo.

Não seria o caso de discutir a reforma da Previdência (que é necessária) se ela não retirasse do mais pobre o direito de se aposentar. Se ela não privilegiasse castas para punir quem mais trabalha neste país. O trabalhador não pode se aposentar com 65 anos e a trabalhadora com 62. É desumanidade demais.

E o povo precisa se mobilizar em torno destas pautas que o agridem.

O exemplo mais notável desta semana vem da França. Não falo sobre os coletes amarelos não. Três mil galinhas se juntaram para atacar uma raposa que invadiu o seu território. “As galinhas agiram levadas por um instinto de manada, e atacaram a raposa com bicadas”, diz Pascal Daniel, diretor da escola agrícola Gros-Chêne, segundo informações da BBC.

O corpo da pequena raposa foi encontrado no dia seguinte, num canto do galpão. “Tinha marcas de bicos por toda parte, do pescoço para baixo”, disse Daniel à agência francesa de notícias AFP.

Mesmo as galinhas, animais notabilizados por certa fragilidade diante de predadores, agiram juntas contra um inimigo comum. No Brasil, as pautas de luta são vistas até com certo desdém, com raríssimas exceções. Os brasileiros preferem reclamar no dia seguinte à aprovação de medidas que o prejudicam.

E se não houver mobilização para combater esta reforma da Previdência que pune o trabalhador mais pobre, aquele que vai morrer sem se aposentar, os brasileiros serão mais frágeis do que as galinhas francesas. E a raposa vai levar a melhor como faz desde de 2016.

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