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O diadema da ignorância e da estupidez

O diadema da ignorância e da estupidez
O diadema da ignorância e da estupidez
Não é mais possível viver num país que tem como fonte de notícias o WhatsApp. Um país que elegeu políticos numa onda de disparo de mensagens em massa.

O Brasil foi reduzido a um pensamento mesquinho que criminaliza o conhecimento e abomina a arte. A bolha de ignorância e estupidez disseminada nas redes, mas antes estabelecida no pensamento do povo brasileiro, amplia a percepção de que se vive numa realidade paralela.  Nada há de mais assombroso do que um povo que se orgulha de ser estulto. E com a estultícia vem a incapacidade de compreender o mundo.

A quintessência da idiotice é compartilhada nas redes sociais dia após dia, num movimento de dedos frenéticos e mentes hipnotizadas que acreditam em tudo e não contestam nada. Dos discursos esdrúxulos e falsas notícias aos vídeos de depoimento que mostram uma visão individualizada do mundo, tudo se dissemina. Foi assim que o brasileiro caiu na ilusão de uma mamadeira cuja extremidade é um pênis de borracha. Foi o estopim para a rejeição de uma candidatura e a ascensão da outra.

Atacadas por milícias virtuais e falanges que defendem os interesses de políticos conservadores, a arte e a cultura, como identidade do Brasil, também se tornaram alvos de quem, por exemplo, nunca foi a um museu. A ignorância é uma atitude tão vil que transformou o brasileiro num sujeito imbecilizado incapaz de entender que a maior desgraça deste país não é a arte: é a dificuldade de acesso à arte. Retirar investimentos da cultura é mais uma medida para aprofundar a estupidez do povo.

O roteiro de mentiras disseminadas no limbo da internet fez surgir aos borbotões, pelos esgotos, uma gente mesquinha que adora a mentira. Não, elas não são diferentes de quem idolatram. Um presidente da República que faz homenagem a um ditador sanguinário e pedófilo como Alfredo Stroessner não pode surpreender quem o segue. É a união perfeita entre comandados idiotizados e um capitão com ganas de ludibriar cada vez mais sob uma plataforma de incontáveis notícias falsas, desinformação e assassinatos de reputação.

“O Brasil está gastando muito em Educação”. Desde quando investir (e não gastar) em educação foi ou é ruim? Nem mesmo a ditadura militar teve este pensamento. É somente uma maneira de capturar a ignorância do povo para garantir o apoio de medidas que o deixarão ainda mais ignorante. A visão de que administrar é cortar investimentos e patrulhar servidores, autarquias e instituições não passa de mais um item do empobrecimento cultural do Brasil. Um pretexto para perpetuar a perseguição e o punitivismo.

As ideias de que a ‘universidade deve ser ocupada somente por uma elite intelectual’ e ‘universidade para todos é impossível’ partem do pressuposto de que não é mais possível “gastar” com Educação. Em outras palavras, o filho do pedreiro e da dona de casa não poderá jamais entrar numa universidade porque não pertence a uma elite intelectual e jamais terá dinheiro para garantir os seus próprios estudos numa instituição particular.

Idiotizado, o brasileiro não consegue visualizar, por exemplo, que querem obriga-lo a trabalhar até os 65 anos de idade (e as mulheres até os 60). Porque somente um sujeito ignorante e estúpido aceitaria uma reforma previdenciária em que os trabalhadores pobres são os que mais vão contribuir. Somente um cidadão tolo aceitaria trabalhar até morrer.

O brasileiro colocou na presidência da República um homem que, para criticar a maior festa popular do mundo, o carnaval, divulgou um vídeo pornográfico em sua conta oficial no Twitter. Além disso, discute todos os dias – pelas redes – com adversários, com cantores, com artistas, com políticos que não concordam com o seu modo de agir. Não desce do palanque, ainda que as estruturas da sua plataforma de apoio estejam frágeis.

Tudo no mundo é construção, sobretudo as ideias. E são as ideias que devem barrar este processo de negação do conhecimento, da arte, da cultura e da ciência. Não é mais possível viver num país que tem como fonte de notícias o WhatsApp. Um país que elegeu políticos numa onda de disparo de mensagens em massa. O brasileiro precisa ter vergonha de carregar na cabeça o diadema da ignorância e da estupidez ou tudo o que conhecemos como nação vai ruir.

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