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O Brasil precisa superar o ódio

O Brasil precisa superar o ódio
O Brasil precisa superar o ódio – Charge: Lattuf
O Brasil precisa superar o ódio. Comemorar a morte de uma criança de 7 anos porque odeia o seu avô é de uma desumanidade perniciosa. Não é possível mais aceitar esta doença social.

Não se pode dizer que o Lula é um ícone sem força. Se fosse, não teriam evitado que ele, por exemplo, concedesse entrevistas na prisão. Lula ainda é um homem que não pode falar, não pode ser visto, não pode existir. A prisão em Curitiba é uma espécie de isolamento físico, mas também simbólico.

Lula é um ex-presidente da República, o homem que tirou 30 milhões de brasileiros da miséria, e está atirado numa masmorra em Curitiba sem que a Justiça pudesse ao menos comprovar os seus crimes e a origem dos benefícios que teria recebido, condenado duas vezes, em primeira instância, por “atos de ofício indeterminado”.

Recai sobre Lula, entretanto, um ódio visceral que foge do campo político. O prazer que algumas pessoas sentem em comemorar as infelicidades e infortúnios do ex-presidente é algo doentio. A sociedade brasileira precisa se livrar deste ódio de maneira urgente. Não dá mais para viver num país onde pessoas comemoram a morte de uma criança de 7 anos por causa do seu avô.

A eleição mais violenta da história deste país deixou sequelas muito graves. Sobretudo, porque quem generaliza e normatiza a violência – ainda que tenha sido por ela atingido – não desceu do palanque. Continuam a incitar a violência, encampam uma patrulha ideológica feroz nas redes sociais (que não poupa nem os seus), insuflam o acirramento das forças políticas e atacam a imprensa.

O Brasil não tem outra chance: é lutar contra o ódio feroz ou ser devorado por ele. Mergulhado na naturalização da violência, este país vai criar uma sociedade injusta em todos os aspectos, mas sobretudo nas questões humanas. É preciso entender que os valores humanos estão soterrados sobre os escombros do ódio. A ignorância e a estupidez se tornaram diademas a serem colocadas sobre as cabeças e demonstradas para o horror da humanidade. Rebate-se a cultura, a universidade, a história, os Direitos Humanos, o direito das minorias, os direitos civis.

Mas não é por isso que se deve perder a esperança. A utopia de um país mais justo e humano, livre do ódio, deve ser a maior das nossas prioridades. Para que um dia seja possível sonhar com uma nação onde o povo é hospitaleiro, alegre, sensível. Não há caminho para a paz social e o crescimento econômico com exclusões dos mais pobres e a disseminação de ódio. É hora de abrir os olhos, sair da hipnose e ver o país miserável em que estamos vivendo.

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