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Editorial | As duas caminhonetes e a crise na Venezuela

Editorial | Uma guerra por duas caminhonetes de mantimentos
Editorial | Uma guerra por duas caminhonetes de mantimentos – Foto: Alan Chaves/ G1 RR
A resolução da crise não está em qualquer caminhonete que possa aplacar a fome uma vez estabelecida pelas criminosas sanções dos EUA à Venezuela.

Quando a mídia tradicional diz que os dois caminhões com ajuda humanitária brasileira chegaram a Pacaraima, na Venezuela, o leitor deve imaginar que eram grandes cargas de mantimentos. Uma transmissão da Telesur ao vivo mostrou as duas caminhonetes estacionadas na fronteira, na parte brasileira. Fotos divulgadas por jornais deram uma noção do tamanho da carga que o Brasil enviou à Venezuela e, por isso, a confusão criada na fronteira.

O Jornal Nacional mostrou a chegada de comboios de outros países, veículos que conseguiram ultrapassar o lado venezuelano e distribuir mantimentos. Algumas pessoas, além de receber alimentos e medicamentos, vestiram camisas de campanhas a favor da ajuda humanitária.

De acordo com o G1, o conteúdo do primeiro carregamento, que tem entre 6 e 7 toneladas, deve durar aproximadamente 1 mês e suprir as necessidades de até 6 mil pessoas. No total, o governo brasileiro disponibilizou 200 toneladas de suprimentos.

O que tem nos caminhões:

  • Medicamentos: 4 kits de saúde para doenças de baixa complexidade com remédios para dor, febre e inflamação, e gazes;
  • Alimentos: arroz (doados pelos Estados Unidos) e leite em pó (doados pelo Brasil)

O governo não precisava se prestar a este teatro horrendo. Espetacularizar a crise venezuelana e provocar o fechamento da fronteira – e quem sabe o rompimento diplomático do país com o Brasil é uma atitude de submissão a Donald Trump e ao fantoche Juan Guaidó.

Se a Venezuela tem problemas com o “ditador” Nicolás Maduro, que os resolva sob a salvaguarda da sua soberania. Conflitos gerados nas fronteiras são muito graves, preocupantes e irresponsáveis; a resolução da crise não está em qualquer caminhonete que possa aplacar a fome uma vez estabelecida pelas criminosas sanções dos EUA à Venezuela.

É vexatório que o Brasil tenha ‘dobrado a espinha’ para apoiar incondicionalmente uma ação americana, sem antes analisar os riscos imediatos desta medida. Pagaremos pelo risco de um rompimento diplomático, de uma crise com um país vizinho, com a possível invasão dos americanos em território venezuelano.

Já vimos este filme antes. A cada amém dito pelo chanceler brasileiro, o senhor Ernesto Araújo, às autoridades americanas, nesta insana viagem de fanatismo yankee, deixamos de ser o país da diplomacia pacífica, conciliadora, para apoiar atitudes hostis na região.

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