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Editorial | A tragédia da incompetência

Editorial | A tragédia da incompetência
Editorial | A tragédia da incompetência
Em vez de tomar uma decisão rápida e evitar constrangimentos, matérias e mais matérias publicadas na imprensa, desgaste político, Bolsonaro hesita entre as definições de aliados e os ditames dos filhos.

Há pelo menos quatro dias Jair Bolsonaro tenta demitir um ministro que aparentemente está envolvido na criação de candidaturas laranjas PSL, partido que elegeu o presidente da República. Em vez de tomar uma decisão rápida e evitar constrangimentos, matérias e mais matérias publicadas na imprensa, desgaste político, Bolsonaro hesita entre as definições de aliados e os ditames dos filhos.

A hesitação do presidente criou um vácuo imensurável. Durante um fim de semana inteiro a mídia repercute os fatos desta demissão que só virá – dizem palacianos – na segunda-feira (18). Daqui até lá haverá motivos para mais boatos nos bastidores.

Em tempos tão surreais, até mesmo a deputada Janaína Paschoal parece ter um discurso moderado e que aponta caminhos não seguidos pelo mandatário da nação. Em publicação no Twitter, Janaína afirmou que “não tem cabimento um presidente da República dizer que demitirá uma pessoa passados três dias. As admissões e demissões devem ser decididas e simplesmente comunicadas. Ademais, um líder precisa adotar critérios minimamente claros”.

Era somente demitir e comunicar.

Enquanto posa em fotos oficiais maltrapilho e com camisa pirateada de clube de futebol, Bolsonaro deveria atentar para o fato de que a simplicidade é própria muitas vezes das atitudes e não somente da aparência. A demissão de Bebianno é um destes fatores que demonstram a falta de trato do presidente com a difícil tarefa de governar. E de governar de maneira simples.

Toda a narrativa que se criou sobre o assunto nos últimos dias vai gerar problemas para o governo. Primeiro, é inevitável que a demissão de um dos homens mais importantes da campanha ao Planalto abale as estruturas do governo; segundo, o PSL é um ninho de desorganização e a saída de Bebianno vai agravar ainda mais a situação; terceiro, o ministro, que já está com a exoneração assinada, promete cair atirando.

Não se pode esquecer de que um dos responsáveis pela amplificação desta crise é o filho número dois do presidente, Carlos Bolsonaro. Em vez de estar trabalhando pela cidade do Rio de Janeiro da qual é vereador, Carlos se apossou das redes do presidente e até mesmo divulgou um áudio para desmoralizar o ministro Bebianno, o chamando de mentiroso.

E o Bolsonaro dizendo amém. Tristes tempos.

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