Nossa Política

Sinhazinha Donata

Sinhazinha Donata
Sinhazinha Donata
A festa, realizada em Salvador, aparentava ter como tema o Brasil Colônia escravocrata. Mulheres negras fantasiadas de mucama faziam a recepção dos convidados. 

A socialite Donata Meirelles, diretora da Vogue Brasil, comemorou em Salvador os seus 50 anos com fantasias de teor racista. A festa aparentava ter como tema o Brasil Colônia escravocrata. Mulheres negras fantasiadas de mucama faziam a recepção dos convidados. Outras ficavam com abanadores ao lado de “tronos de sinhá” para que os convidados pudessem fazer o registro fotográfico.

As fotos se espalharam pelas redes sociais e foram criticadas por internautas. Em seu perfil no Instagram, Donata pediu perdão por ter causado “impressão diferente”.

Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir.

Donata Meirelles é casada com o publicitário Nizan Guanaes, que é baiano e participou da organização do evento. Uma das primeiras pessoas a criticar o “tema” da festa, a jornalista Rita Batista escreveu: “Já as escravas de casas ricas eram adornadas por seus próprios senhores. Quando saíam para as ruas acompanhando suas senhoras ou crianças, eram exibidas em trajes finos e carregadas de joias. A própria escrava era um objeto de ostentação do dono, um objeto de luxo a ser mostrado publicamente’. Trecho do livro “Jóias de Crioula” de Laura Cunha e Thomas Milz. A primeira foto foi tirada entre 1870 e 1880 por Guilherme Gaensly, a segunda é de 2019 mesmo”.

Escreva um comentário

Categorias