Nossa Política

Reginaldo Rossi, o rei da música do povão

Reginaldo Rossi, o rei da música do povão
Reginaldo Rossi, o rei da música do povão
Em 20 de dezembro de 2013, se calava a voz que traduzia uma música enraizada na alma do povo brasileiro. Morria Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, ou, para muitos, o rei da música do povão.

Professor de matemática e física, estudante na faculdade de engenharia de Pernambuco, fã de Elvis Presley. Este era Reginaldo Rodrigues dos Santos, o jovem que mais tarde se tornaria o rei do Brega. Reginaldo foi seduzido pelo movimento rock Iê-Iê-Iê inspirado pelos Beatles e protagonizado por Roberto Carlos, Erasmo e Wandeléia, também conhecido no Brasil como Jovem Guarda.

O artista não iniciou sua carreira cantando canções populares, mas sim no comando de um grupo de rock chamado de The Silver Jets. Em julho de 2000, Rossi foi entrevistado pela Folha de S.Paulo. Questionado por que começou na Jovem Guarda, em São Paulo, e depois voltou para o Nordeste, Rossi afirmou que “os críticos mais ferrenhos achavam que a Jovem Guarda era coisa de alienado. Eles achavam que, se um cara cantasse uma canção romântica, era brega. Se cantasse algo de protesto, era chique”.

No final de 1978, o cantor retornou para Recife. Foi contratado pela Odeon e teria que vender 15 mil cópias. Na época, vendeu 125 mil discos. De 1980 a 1990, Rossi gravou dez discos na Odeon. Os dez foram disco de ouro. Em 1987, com a gravação da música “Garçom”, o cantor pernambucano se tornou ídolo nacional.

Outras canções como “Deixa de Banca”, “Tô Doidão”, “A Raposa e as Uvas”, “Era Domingo”, “Ai Amor”, “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, caíram no gosto popular. Nos bares e botecos, nas esquinas, nas caixas de rádios comunitárias, nos bailes e no coração do povo brasileiro a música de Reginaldo Rossi ganhou um lugar especial.

Rossi ganhou o título de rei do brega, um estilo musical brasileiro que foi muito  utilizado para designar a música romântica popular de “baixa qualidade”, com exageros dramáticos ou ingenuidade. Para o cantor, a definição não o incomodava.

Não incomoda o brega, eu progredi. Na época, eu vinha de uma escola de engenharia e cantava iê-iê-iê com cuidado. Voltei para Recife porque tinha uma coisa de o cara cantar ou só no AM ou só no FM. O cantor era de classe A ou brega. Como eu cantava tudo, fiquei sem saber o que fazer. Se falarem que é brega, quero que falem sou brega ao quadrado.

Cada vez mais eu tô entendendo o povo e descendo de um pedestal. Cada vez mais eu quero o brega perto de mim. Acho que o brasileiro está com menos vergonha de ser brega. E ser brega é o que o povo gosta de maneira geral. Quando o povo gosta, é brega.

“Claro, existem eruditos para uma pequena classe. No Brasil, em que povo em geral não teve acesso à educação musical mais refinada, isso é válido: tem que ter Chico [Buarque], Gal [Costa], Caetano [Veloso], e tem que ter Amado Batista, Zezo dos Teclados, Faringes da Paixão e Reginaldo Rossi.”

Rossi cantou para o povo. Para os amantes traídos, para os apaixonados, para embalar os mais nobres sentimentos de um povo simples. As mais simples dores e amores de um povo que busca na música um modo traduzir aquilo que sente.

Escreva um comentário

Categorias