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O incêndio e o fim do sonho

O incêndio e o fim do sonho
O incêndio e o fim do sonho
O incêndio no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, na manhã desta sexta-feira (8), pôs fim à vida de dez garotos que sonhavam com uma vida mais justa, fazendo do talento com a bola uma utopia.

Tenho primos e amigos que se aventuraram na carreira de jogador de futebol. Em todos eles se via a busca por um sonho que é quase tão difícil de ser realizado quanto passar num vestibular de medicina; tão difícil quanto acertar na mega sena, dizia um conhecido. Mas por mais difícil que seja, as escolinhas estão sempre abarrotadas de meninos esperançosos; as peneiras são sempre concorridas, com choro e desilusão momentânea na hora de ouvir um “você não passou”.

O incêndio no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, na manhã desta sexta-feira (8), pôs fim à vida de dez garotos que sonhavam com uma vida mais justa, fazendo do talento com a bola uma utopia. Muitos deles estavam distantes dos familiares, transformando aquele espaço em casa, os colegas em parentes, o campo a sua diversão. É muito duro pensar que isso se acabou com fogo, que tudo destrói.

O futebol, que é ambiente de alegria, vibração, comemoração, hoje está de luto. Um luto que traz consigo a tristeza amarga de ver jovens morrerem dessa maneira. Nestas horas as palavras são tão vagas quanto qualquer resposta para o ocorrido. Porque nenhuma resposta poderá trazer conforto aos familiares destes meninos que partiram de forma trágica.

De outro modo, não podemos silenciar diante dos fatos: Por que clubes que investem tanto dinheiro em transações de jogadores veteranos todos os anos não cuidam dos juvenis de maneira adequada? Por que estes jovens estavam dormindo em containers? O que faz o Flamengo é copiado por outros clubes?

No campo do subjetivo, é impossível não questionar: Quem vai trazer de volta a alegria para estas famílias? Como vão superar a dor da perda? Como vão preencher o vazio espaço da saudade e do sonho que se perdeu?

O futebol vai seguir o seu caminho, o Flamengo continuará sendo o gigante do Brasil, o espetáculo não para. Mas estas dores marcam muito mais do que uma grande derrota. É que perder uma partida é próprio do futebol. Mas nada é tão doloroso como ver um sonho perdido. Ontem eu vi dez sonhos perdidos. Dia de infinita tristeza.

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