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Editorial | A 5ª série no Planalto

Editorial | A 5ª série no Planalto
Editorial | A 5ª série no Planalto
Não bastassem os embaraços, recuos e decisões equivocadas, o governo de Jair Bolsonaro finaliza o primeiro mês comparado a uma turma de 5ª série, cujos alunos se comunicam por memes nas redes sociais.

Os filhos do presidente da República se intrometem em assuntos da alçada do governo; respondem com ferocidade a qualquer crítica. Os ministros se metem em desavenças nas redes sociais, muitos deles críticos à imprensa e capazes de cometer erros que costumavam apontar nas gestões anteriores.  O presidente é simplório, raso, confortável na superficialidade e incomodado com a profundidade dos assuntos. É como se a 5ª série tivesse chegado ao Planalto.

Jair Bolsonaro compôs o governo que quis. Anunciou cada nomeação no Twitter e entregou a cada ministro as tarefas que devem desempenhar. Acontece assim com todo novo governo. O estranho é que desta vez, os vencedores da eleição não desceram do palanque. Não são raros os embates entre ministros e adversários políticos do governo.

Em vez de trabalhar, a turma do Planalto está preocupada com a imprensa, os comunistas, a esquerda, a Venezuela, Maduro, a caixa preta do BNDES, o PT. Em vez de tentar aquecer a economia com medidas eficazes (que já deveriam ter sido discutidas em campanha, nos debates e sabatinas), o governo se estranha nas redes sociais, dialogando com publicação de memes.

O compêndio de bobagens da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos não cessa. Dia após dia encontram nas entranhas de dados da internet uma fala espantosa da ministra. É impressionante como estas mensagens absurdas de fundamentalismo e falta de noção histórica foram divulgadas nas redes sociais e encontraram coro na ignorância e despreparo de muitos.

Recentemente, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, afirmou que o jornalista Ancelmo Gois havia sido treinado pela KGB (serviço de inteligência da antiga União Soviética). Mas não o fez numa publicação em sua conta no Twitter. Usou a assessoria de comunicação do ministério para disparar tal bobagem.

São comportamentos infantis, belicosos, insanos. São esses comportamentos que marcam o primeiro mês de um governo perdido. Hoje se inicia a 56ª legislatura do Congresso Nacional e os embates de verdade começam agora.

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