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Editorial | O governo da confusão

Editorial | O governo da confusão
Editorial | O governo da confusão
O presidente diz uma coisa, os ministros dizem outra, os filhos do presidente replicam erros e aumentam a confusão. Nunca antes na República.

A primeira semana do governo Bolsonaro foi marcada por muita confusão. Tudo bem que Jair Bolsonaro não entenda nada de Economia; ele também parece não entender nada sobre Saúde Pública e Educação. Mas muito pior do que não compreender um assunto é tentar abordá-lo. No caso do presidente, o erro maior é decidir sobre algo que desconhece.

Na primeira semana de governo, o ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni teve que desmentir o próprio presidente e dizer que ele estava equivocado acerca da alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Não é novidade nenhuma um presidente se atrapalhar com um assunto e precisar ser corrigido. O problema é que esta não é o único “equivoco” de Bolsonaro nesta semana.

Os erros são tão crassos, que a Secretaria de Comunicação tomou para si a administração do Twitter de Bolsonaro, perfil que sempre foi utilizado pelo filho do presidente, o Carlos. Talvez seja um primeiro passo para diminuir a desinformação, o vai-e-vem de notícias que não se confirmam. A imprensa tradicional mostra com detalhes as confusões de um governo que decidiu se pronunciar pela boca de cada ministro ou pelas redes sociais.

Os filhos de Bolsonaro trabalham para aumentar a confusão e abordar temas que colocam o governo em apuros. Aconteceu, por exemplo, durante a transição, de o Eduardo Bolsonaro tratar da pena de morte. Como o assunto não havia sido discutido durante a campanha, o pai correu a admitir que o governo não  falaria sobre isso.

Críticas a órgãos do próprio governo, como o Ibama, aumentam ainda mais a confusão. É um governo ideológico disposto a perseguir qualquer pensamento que se oponha ao seu modo de agir. E isso é apenas o começo. Bolsonaro vai ao Fórum Econômico de Davos. Pode demonstrar para os outros países a confusão que é o seu governo.

Os seus defensores acreditam que isso é apenas o começo, quando, por falta de experiência, as declarações e medidas aparecem um pouco embaralhadas. O fato é que as próprias pautas do governo são confusas. Mistura-se ideologia com administração pública para perseguir o “marxismo cultural”, alvo da extrema-direita no mundo. Fala-se em “depetizar” o governo.

O PT deixou o poder em maio de 2016. Naquele momento, Michel Temer fez questão de trocar cada ministro, secretário, cargos de indicação e comissionados. Levantar esta “caça aos petistas” quase três anos depois é doentio. Ou é mais uma maneira de criar confusão e manter o presidente no palanque.

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