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Bolsonaro silenciará em Davos?

Bolsonaro silenciará em Davos?
Em meio às suspeitas, silêncios e divulgações de informações sobre movimentações atípicas do ex-assessor do filho, Jair Bolsonaro embarca para Davos. Manterá o silêncio?

Já se sabe que Jair Bolsonaro não dará entrevista em coletiva de imprensa, como estava estabelecido no cronograma do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ainda que os ministros e o próprio vice-presidente, o general Hamilton Mourão, tentassem retirar o Caso Queiroz das proximidades do Planalto, o assunto promete estar na pauta dos jornalistas que devem cobrir o evento.

Bolsonaro pode até ter evitado a coletiva de imprensa. Mas não vai evitar questionamentos sobre o fato que coloca o ex-assessor do seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro, numa situação complicadíssima. Alguns podem dizer que o problema é do Queiroz, ou do próprio filho do presidente. Entretanto, as bandeira da ética e do moralismo, levantada pela clã Bolsonaro -pode estar pesando muito nestes dias turbulentos.

Um governo de 20 dias se encontra diante de um processo de desgaste, acelerado inclusive pelo embate entre os próprios aliados. Não se pode esquecer da colisão entre Olavo de Carvalho e os deputados do PSL que foram à China; dos aliados que nas redes sociais pularam do barco por entender que Flávio Bolsonaro tem culpa no cartório. O governo não apresentou nada além de anátemas e ameaças aos adversários políticos, vivendo sob a égide de um presente que precisa ser “despetizado”. Ora, o PT deixou o poder em maio de 2016.

Como é que Bolsonaro vai fazer para se livrar de perguntas sobre o caso que envolve, segundo relatórios do Coaf, R$ 7 milhões em transações financeiras do ex-assessor do seu filho? Vai falar somente para o evento e depois vai se trancar no hotel? E o ministro da Justiça Sérgio Moro, que comanda o Coaf, vai fugir dos holofotes – e se pronunciar através de ofícios e despachos – para relembrar os tempos de magistratura?

Como é bom ser pedra e como deve ser difícil ser vidraça. Bolsonaro pode até escapar da imprensa tradicional brasileira, mas não terá a mesma sorte com a imprensa internacional que não costuma passar a mão na cabeça. O primeiro teste internacional deste governo promete.

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