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Editorial | Imprensa de fancaria

Imprensa de fancaria
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Quando Jair Bolsonaro afirmou, em setembro, que iria fuzilar petistas, ninguém na imprensa foi capaz de lhe dirigir críticas ou dizer que estava indo contra a democracia.

No dia 2 de setembro deste ano, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou em comício no Acre que se vencesse as eleições iria ‘fuzilar petistas’. A declaração não só era uma afronta à democracia, como configurava uma das dezenas de frases vergonhosas daquele que se tornaria presidente eleito do país. Como esta, existem outras tantas que ocupam as páginas dos sites e portais de notícias, basta somente pesquisar.

No entanto, nenhum dos grandes veículos de comunicação ousou enfrentar a sanha de Bolsonaro, com a exceção da Folha de S.Paulo, por causa da repercussão da matéria de Patrícia Campos Mello sobre o disparo automático de mensagens via WhatsApp bancado por empresários. Fora isso, o silêncio da mídia diante de um exército de fãs tresloucados capazes de coagir qualquer pessoas nas redes sociais.

Agora, grande parte da imprensa mobilizou as suas baterias contra o PT, PSOL e PCdoB por boicotarem a posse do presidente eleito. A imprensa entende que ao não comparecer à posse de Bolsonaro, os partidos colocam em xeque o processo eleitoral e a própria democracia. Ou seja, os partidos devem participar da festa de posse de um político que há meses vem ameaçando “varrê-los do mapa”.

Para arrancar Dilma do poder com o golpe, políticos como Bolsonaro precisaram ir ao mais ínfimo lamaçal da consciência humana. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim”, disse ele em homenagem a um torturador, no dia da votação do impeachment, na Câmara.

As frases de Bolsonaro sobre os adversários formam um compêndio de ignorância e ódio político. Portanto, os partidos que mandaram às favas a hipocrisia e o discurso de que as instituições estão funcionando corretamente estão muito certos. Provocaram a polarização através da ruptura das instituições e agora vão sofrer com a própria ruptura.

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