Nossa Política

COP-24 mostra preocupação com o Brasil e as políticas de Bolsonaro

COP-24 mostra preocupação com o Brasil e as políticas anticlimáticas de Bolsonaro
COP-24 mostra preocupação com o Brasil e as políticas de Bolsonaro
Durante a Conferência Mundial do Clima (COP24), autoridades demonstraram preocupação com o futuro do Brasil em relação às negociações climáticas e a instalação do governo Bolsonaro.

Publicado originalmente no Le Monde:


No pavilhão brasileiro da Conferência Mundial do Clima (COP24), realizada em Katowice (Polônia) até o dia 14 de dezembro, a atmosfera é descontraída. Com um sorriso no rosto, sob as bandeiras amarela, verde e laranja, fala-se em reduzir as emissões de gases de efeito estufa a longo prazo. Não há motivos para acreditar que o papel de liderança de longa data do Brasil no avanço das negociações sobre o clima possa terminar da noite para o dia. Mais precisamente no início de janeiro, quando o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, declarado resistente à ideia das mudanças climáticas, assumirá o cargo de presidente.

“O risco do retrocesso é real”

No entanto, esta ameaça está na mente de todos. “Por anos [incluindo a Cúpula da Terra do Rio em 1992], o Brasil tem sido um dos “nomes de confiança” que facilita o consenso no processo de negociação. O risco do retrocesso é real “, adverte Fernanda Carvalho, diretora de política da WWF International.

De fato, os sinais enviados de Brasília são motivo de preocupação para os ambientalistas, assim como o novo governo que acaba de ser eleito. Primeiro, com o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que descreve em seu blog que a mudança climática é um “dogma científico” influenciado pelo “marxismo cultural”. Seu ministério anunciou no final de novembro que o Brasil não iria receber a COP25, devido a “cortes no orçamento”.

Em seguida, Ricardo de Aquino Salles é indicado para a pasta do Meio Ambiente. Esse advogado, ex-integrante da Sociedade Rural Brasileira, grupo que representa os interesses do agronegócio, “foi escolhido sob a influência daqueles que ele tem que controlar”, diz Carlos Rittl, diretor do Observatório do Clima, uma das 44 ONGs, presente em Katowice. “Ele não tem conhecimento do meio ambiente e o Ministério da Agricultura definiu suas prioridades”, diz ele.

Nomeado no domingo (9), Ricardo de Aquino Salles chamou o aquecimento global de uma “questão secundária”. Na segunda-feira, ele disse que o Brasil decidirá nas próximas semanas se deve ou não permanecer no Acordo de Paris, assinado em 2015, examinando “ponto por ponto as questões mais sensíveis” do tratado.


Escreva um comentário