Política

Villas Bôas: Exército esteve “no limite” de uma intervenção militar

Villas Bôas: Exército esteve “no limite” de uma intervenção militar

Villas Bôas: Exército esteve “no limite” de uma intervenção militar

O comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o Exército esteve “no limite” de uma intervenção militar, caso o ex-presidente Lula fosse solto.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, admitiu que os militares estiveram no limite de uma intervenção, caso o ex-presidente Lula fosse solto com a concessão de um habeas corpus pelo STF, em abril deste ano.

Ele ainda se orgulha de a sua “nota”, publicada no Twitter, ter sido lido pelo William Bonner, no Jornal Nacional daquele fatídico 4 de abril de 2018:


‘Bolsonaro não é volta dos militares, mas há o risco de politização de quartéis’, diz Villas Bôas

(…) Folha: Desde que o presidente foi eleito, ele tem buscado fazer gestos simbólicos de deferência à Constituição e à democracia. Ao mesmo tempo, ele tem feito ameaças explícitas a órgãos de imprensa, como este jornal e outros, que não falem o que ele considera ser a verdade. Aliás, ele sempre fala em verdade…
Villas Bôas:
 Uma coisa meio messiânica, né?

Folha: Isso. Mas enfim, é compatível a defesa da democracia e esses chutes na canela de instituições que fazem parte da democracia?
Villas Bôas:
 Acho que, se nós olharmos da perspectiva dele, esse é um marketing que ele faz em torno de si, que explora.

Eu não creio que ele vá materializar isso a ponto de ameaçar o funcionamento das instituições.

O país está amadurecido, tem um sistema de freios e contrapesos que não permite que essas coisas prosperem a ponto de ameaçar a eficiência do processo democrático.

Folha: O seu comando foi marcado pela moderação em momentos de crise, que foram vários. Como o sr. analisa o período? O que considera sua melhor marca e onde não deu certo?
Villas Bôas:
 Nós assumimos em fevereiro de 2015 e logo em seguida começou a crise que resultou no impeachment. Começou uma instabilidade, e ao mesmo tempo surgiu a demanda crescente pela tal da intervenção militar.

Intervenção militar constitucional, até hoje não descobri como é que faz isso. Até houve discussões de juristas sobre isso, que o Exército teria um mandato para intervir, e isso foi verbalizado pelo general Mourão, gerando uma pequena crise [em 2015].

Em função dessa pressão, elaboramos diretrizes que transmiti internamente e que passaram a preencher espaço externamente. A conduta seria baseada em três pilares.

Primeiro, a manutenção da estabilidade. Segundo, a legalidade: o Exército jamais agiria fora de preceitos legais, dentro do artigo 142 da Constituição e leis subordinadas.

O terceiro pilar, a legitimidade, que o Exército foi acumulando ao longo dos tempos exatamente pelo posicionamento apolítico.

Caso fôssemos empregados, jamais poderíamos ter essa intervenção interpretada como favorecendo um lado ou outro. Temos imparcialidade.

Os militares da reserva, com muita frequência, têm influência. Foram comandantes, instrutores do pessoal da ativa. Então quando eles se pronunciam, isso muitas vezes repercute interna e externamente.

Eu precisei ter o domínio da narrativa. Por isso, às vezes nós éramos mais enfáticos na expressão, sempre no limite para não invadir o espaço de outras instituições.

Eu reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera do votação no Supremo da questão do Lula.

Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática. Me lembro, a gente soltou [o post no Twitter] 20h20, no fim do Jornal Nacional, o William Bonner leu a nossa nota. (…)


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