Blog do Mailson Ramos

Quem mandará mais?

Quem mandará mais?

Quem mandará mais?

Há quem diga que Jair Bolsonaro marcou um golaço ao nomear o juiz Sérgio Moro como ministro da Justiça. Mas será que este gol não foi um gol contra?

Ao nomear Sérgio Moro – após indicação de Paulo Guedes – Bolsonaro teria marcado um gol, de acordo com alguns aliados e analistas políticos. A ideia principal do presidente eleito em construção é levar para o governo a narrativa anticorrupção que durante muito tempo capturou a atenção do público brasileiro através das ações da Lava Jato. Ou seja, vão tirar a  operação de Curitiba e levar para o Ministério da Justiça. Moro, por sua vez, já admitiu levar para a pasta alguns membros do MPF e da Polícia Federal.

Bolsonaro teria dado carta branca a Moro para atuar à frente de um superministério que engloba as pastas da Justiça e da Segurança Pública. Mas até que ponto as decisões do magistrado poderão afetar o próximo governo? Até quando a narrativa será positiva para um governo que levantou o bastião da moral, ainda que tenha como ministro Chefe da Casa Civil , Onyx Lorenzoni, que admitiu ter recebido propina via caixa dois da JBS?

Assim como Sérgio Moro, Paulo Guedes também usufrui de um poder sem igual dentro do governo Bolsonaro. Muito se fala do temperamento do futuro ministro da Fazenda e da indisposição que ele tem para dialogar, seja com políticos ou com os próprios aliados. Um exemplo recente foi a atitude de Paulo Guedes em relação à decisão do Senado de aprovar o reajuste de Judiciário. ‘Façam o orçamento de vocês que depois eu faço o meu’.

De acordo com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), os senadores ficaram “horrorizados” com a postura do economista, Eunício diz ter saído da reunião com uma certeza: “Esse povo que vem aí não é da política, é da rede social”. Eunício ainda firmou que Paulo Guedes o pressionou para que pautasse logo, para aprovação ainda neste ano, a reforma da Previdência.

No meio disso tudo está o presidente eleito. Bolsonaro discute tudo menos o que mais interessa. Nas últimas semanas, tentou interferir na prova do ENEM, falou em “abrir a caixa preta” do BNDES, de novo repetiu bobagens como kit gay e doutrinação comunista. O que se desenha é um governo, cujo mandatário não manda nada, ou é conduzido por aliados sagazes.

Bolsonaro quando emite uma opinião causa estremecimentos. Na última sexta-feira (9), ele disse que será preciso reduzir direitos trabalhistas para destravar economia. “O que queremos é destravar a economia. Esse é o caminho. Os empresários têm dito para mim que nós temos que decidir: ou todos os direitos e desemprego ou menos direitos e emprego“, afirmou. Bolsonaro disse ainda que “o Brasil é um País dos direitos”, todos previstos na Constituição, e que não vai “tirar” esses direitos.

Vejamos os próximos capítulos desta novela.

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