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Ipsos: 7 em cada 10 brasileiros acreditam que o país está em declínio e vai piorar

Ipsos: 7 em cada dez brasileiros acreditam que o país está em declínio e vai piorar

Ipsos: 7 em cada dez brasileiros acreditam que o país está em declínio e vai piorar

Para chegar a estes números, a pesquisa Ipsos ouviu 17.203 pessoas entre os dias 26 de junho e 9 de julho – antes, portanto, das eleições no Brasil.

De Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho:


Aos leitores que estão me achando muito pessimista, trago hoje más notícias.

Não sou o único, como mostra a pesquisa inédita feita em 24 países pelo instituto francês Ipsos, divulgada hoje pela BBC News Brasil, e ignorada pela grande mídia nativa até o momento em que comecei a escrever.

“Para praticamente sete em cada dez brasileiros (67%), o país está em declínio, isto é, tende a se tornar um lugar pior no futuro. Os brasileiros são os mais pessimistas dentre os 24 países consultados pela pesquisa de opinião Beyond Populism? Revisited (Além do populismo? Revisto, em tradução livre)”, informa a agência britânica.

Depois do Brasil, os mais pessimistas são os sul-africanos (64%) e os argentinos (58%).

Mais otimistas são os chilenos, seguidos pelos alemães e canadenses.

Nosso pessimismo está bem acima da média global (44%).

Para chegar a estes números, a pesquisa Ipsos ouviu 17.203 pessoas entre os dias 26 de junho e 9 de julho _ antes, portanto, das eleições no Brasil.

Em entrevista à BBC News Brasil, Danilo Cersosimo, diretor da empresa de pesquisas Ipsos, disse que esse pessimismo pode explicar a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, o candidato que melhor soube trabalhar o descontentamento dos brasileiros, apontado também em outros números da pesquisa.

64% dos brasileiros concordam com a afirmação “políticos tradicionais e seus partidos não se importam com pessoas como eu”.

81% dos brasileiros não confiam em partidos políticos.

67% dos entrevistados brasileiros disseram “não confiar” ou “confiar pouco” no sistema de Justiça do país, incluindo os tribunais.

67% também não confiam na mídia.

É curioso notar que o ex-juiz Sergio Moro, símbolo maior do Judiciário brasileiro, um dos responsáveis pela definição do cenário eleitoral de 2018, será agora ministro da Justiça e Segurança do novo governo, que foi eleito justamente pelo descontentamento dos brasileiros com as instituições.

Outra curiosidade: eleito como candidato “antissistema” contra “tudo isso que está aí”, Jair Bolsonaro é parlamentar há 28 anos, tendo passado por vários dos partidos tradicionais investigados por Moro na Lava Jato.

Esse resultado da nova pesquisa, que mostrou um declínio na média da taxa global de pessimismo (de 57%, em 2016, para 44% agora), também pode estar atrelado ao fato de que vários dos países pesquisados elegeram governos de direita, extrema direita ou autoritários.

“São dois anos de Trump, que perdeu apoio nas eleições legislativas deste ano; são dois anos de negociações travadas no Brexit(…). É mais prudente esperar um ano ou dois para ver se essa tendência vai se manter ou não”, disse Danilo Carsosimo em entrevista à BBC.

Está aí uma boa pauta para os institutos brasileiros de pesquisas de opinião, às vésperas da posse do novo governo, para poder fazer comparações posteriores.

Como já escrevi várias vezes aqui, não se trata de ser otimista ou pessimista, torcer a favor ou contra.

Aos jornalistas cabe analisar fatos concretos do dia a dia e tentar mostrar para onde apontam os ventos, que podem sempre mudar de direção.

Boa semana a todos.

Vida que segue.


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