Política

Ataques de Bolsonaro à imprensa chegaram a 10 por semana no final da campanha

Ataques de Bolsonaro à imprensa chegaram a 10 por semana no final da campanha

Ataques de Bolsonaro à imprensa chegaram a 10 por semana no final da campanha

O levantamento encontrou registros de 129 ataques de Bolsonaro à imprensa desde o início do ano e 45 no último mês da campanha eleitoral.

Da Folha:


Jair Bolsonaro atacou a imprensa dez vezes por semana durante o mês de outubro, na reta final da campanha presidencial, de acordo com análise feita pela Folha em mensagens que ele publicou nas redes sociais, pronunciamentos e entrevistas.

O levantamento encontrou registros de 129 ataques de Bolsonaro à imprensa desde o início do ano e mostra que eles se intensificaram no último mês da corrida eleitoral, período em que ocorreram 45 episódios, um terço do total.

Foram contabilizadas 39 acusações de falsidade e 38 denúncias de partidarismo dirigidas a veículos de comunicação e jornalistas específicos, além de 49 mensagens genéricas em que o capitão reformado do Exército deixou explícito o objetivo de estimular o descrédito na imprensa.

Houve também três ameaças dirigidas à Folha. Bolsonaro disse que cortaria verbas publicitárias do governo destinadas ao jornal em duas ocasiões antes da eleição, e reafirmou sua disposição numa das primeiras entrevistas concedidas na condição de presidente eleito, na segunda (29).

“Não terão mais verba publicitária do governo”, disse Bolsonaro em discurso transmitido por telefone celular a seguidores reunidos na avenida Paulista no dia 21. “O dinheiro público que recebem para fazer ativismo político vai secar”, insistiu em mensagem no Twitter, três dias depois.

Após a eleição, ele voltou ao assunto ao ser questionado pelo Jornal Nacional, da TV Globo. “Na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal”, disse Bolsonaro. “Por si só esse jornal se acabou.”

Em agosto, em entrevista ao Jornal Nacional, o capitão reformado afirmou que a TV Globo dependia de publicidade oficial para sobreviver, mas não ameaçou cortar anúncios da emissora. A Globo informou que a publicidade do governo federal e de suas estatais representa menos de 4% de suas receitas publicitárias.

Braço direito de Bolsonaro, o advogado Gustavo Bebianno disse na terça-feira (30) que o presidente eleito tem o direito de criticar a imprensa, especialmente se for “atacado em algum momento de forma fora de uma linha de normalidade”, e rejeitou a caracterização dessas críticas como ataques. “Faz parte da democracia”, disse Bebianno. “Ninguém está atacando ninguém.”

Na quinta-feira (1º), representantes da Folha e de outros cinco veículos foram barrados numa entrevista coletiva de Bolsonaro. Repórteres dos jornais O Estado de S. Paulo, O Globo e Valor Econômico, da rádio CBN e da EBC foram impedidos de participar.

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