Blog do Mailson Ramos

A imbecilização 2.0

A imbecilização 2.0

A imbecilização 2.0

De maneira insofismável, as redes sociais deram espaço a um grupo que se escondia no obscurantismo, na truculência e na ignorância.

Scientia non habet inimicum nisi ignorantem. Diz o proverbio em latim que o conhecimento não tem inimigos exceto os ignorantes. Não se pode dizer que a massa de ignorantes e suas torpezas tenham surgido no Brasil após a ascensão das redes sociais; tampouco que este fenômeno seja recente. Durante os últimos trinta anos, este sujeito esteve contido sob a pretensa ideia de democracia brasileira. Esteve dissolvido em diversos grupos sociais e homogeneizado na vazão do ‘politicamente correto’. Porém, no fundo, neste sujeito sempre prevaleceu uma extremada adoração à ditadura militar (1964-1985), à repressão como forma de conter a violência, à violência sobre grupos minoritários da sociedade.

Com o ambiente hostil de crise econômica e uma narrativa midiática – e política – de anticorrupção, este sujeito adquiriu um senso impensável de renegação da realidade histórica e, despojado da crença numa cultura diversificada, partiu para um embate ideológico nas redes sociais; não sem antes espelhar-se no discurso de Jair Bolsonaro, um político de extrema-direita que não apenas capitaneou o mote nacional de anticorrupção, como transformou boa parte da população brasileira em plataforma para disseminação de notícias falsas.

Diante disso, se pode dizer que a união entre uma massa de sujeitos despojados de conhecimento e a massificação da desinformação formou um exército de imbecilizados capazes de acreditar até em mamadeira cujo bico tem formato de pênis.

Do rechaço à ideia de escravidão até a tese de que o nazismo é de esquerda, esta massa imbecilizada valeu-se do artificio da disseminação de informações (verídicas ou falsas) na internet e nos aplicativos de mensagens instantâneas, estes capazes de capturar um grande número de pessoas. Não estava mais em questão – antes, durante e depois das eleições brasileiras – o processo eleitoral.

Dentro do clima de embate ideológico feroz e doentio que se criou, marcando e até ceifando vidas, os tribunais superiores se apequenaram. As instituições brasileiras vivem um simulacro de democracia, regidas por vergonhosos interesses corporativos. Poderes institucionais foram subjugados, movidos por um ideal retrocessivo que atira o país em 1964.

Mesmo com a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, os discursos de ódio se mantêm vivos nas redes. Não se sabe até quando vai este disparate de ideias antiquadas, anti-históricas e desrespeitosas. Até quando vai durar a ignorância e a truculência orgulhosas?

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