Editorial

Editorial | A escolha não é Haddad ou Bolsonaro. É democracia ou barbárie

Editorial | A escolha não é Haddad ou Bolsonaro. É democracia ou barbárie

Editorial | A escolha não é Haddad ou Bolsonaro. É democracia ou barbárie

A disputa eleitoral ficou de lado; a querela partidária é muito menor do que o que está em jogo neste segundo turno: brasileiros decidirão se querem a democracia ou a barbárie.

O Partido dos Trabalhadores perdeu três eleições presidenciais antes de ascender ao poder, em 2002. Depois deste ano, as críticas ao partido sempre foram ferozes e muitas vezes injustas. Entretanto, o partido nunca utilizou mecanismos antidemocráticos para reprimir os seus críticos. No momento crucial do impeachment de Dilma Rousseff, as manifestações jamais sofreram com bombas, policiais atirando balas de borracha, gente apanhando no chão.

Era natural para o partido e para o governo, que as pessoas descontentes pudessem protestar livremente. A então presidenta dizia que havia sido torturada e lutou contra a ditadura para que aquelas pessoas pudessem protestar contra um governo que elas elegeram. Isso não significa que os manifestantes não tenham excedido os seus limites, como pedir intervenção militar e dependurar bonecos representando Lula e Dilma, enforcados numa ponte, em São Paulo.

Jogo democrático e republicano. As forças que sustentam a nossa democracia nunca foram abaladas por autoritarismo durante o período dos governos petistas. O mesmo não se pode dizer de quem concorre às eleições com Fernando Haddad.

Jair Bolsonaro criou um exército de marginais. Porque não pode ser tratado de outro modo um eleitor que leva uma arma para a cabine de votação e, além de filmar (o que configura crime eleitoral), vota, usando em vez dos dedos, o cano de uma arma de fogo. Ninguém, em sã consciência, pode entender como normal um senhor de 62 anos ter sido esfaqueado 12 vezes pelas costas somente por ter declarado voto ao PT.

Os brasileiros vivem dias obscuros, em que a razão parece estar submetida ao crivo de falsas informações divulgadas nas redes sociais, como verdades absolutas. O modus operandi é alarmar, mentir descaradamente, usar imagens e vídeos falsos, burlar informações publicadas por grandes veículos de comunicação, dissimular, desinformar, manipular a mente das pessoas que – por ignorância ou desonestidade intelectual – acabam acreditando e disseminando aquilo que lhe foi passado.

A chapa Bolsonaro/Mourão é a antessala do autoritarismo e da destruição da democracia. Democratas de verdade não questionam o processo eleitoral para desacreditar as instituições. Verdadeiros homens públicos não achincalham a democracia dizendo que não vão aceitar o resultado das urnas (aquilo que o povo aprovou em sufrágio). E de igual modo, jamais incitariam os seus apoiadores a agredir, a cometer crimes, a vilipendiar a Constituição Federal à satisfação dos seus interesses eleitorais.

Não é de disputa entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) de que estamos falando. É de uma disputa mais intrínseca, de um detalhe fundamental na vida em sociedade. Se o Brasil não se der conta de que coloca em risco o seu futuro ao eleger um homem que se orgulha de ser o suprassumo do fascismo, em pleno século XXI, vai amargar dias inglórios. A sociedade, que segundo recente pesquisa do Datafolha, quer ser regida pelo sistema democrático não pode cometer um erro que custe o futuro da nação.

Por estas e outras, NOSSA POLÍTICA defende a democracia, portanto a candidatura de Fernando Haddad, no segundo turno das eleições.


Deixe um Comentário!