Política

Coragem para vencer o fascismo

Coragem para vencer o fascismo

Coragem para vencer o fascismo

Não basta somente derrotar o candidato fascista, mas também repelir os focos de ameaça à democracia, de acordo com pesquisas recentes, o sistema político preferido pela maioria da população.

Quando recebia um livro didático de história no ensino fundamental (no ensino médio jamais recebi livro algum), ia vasculhar no sumário assuntos relacionados à ditadura militar. Tinha vontade de estudar sobre aquele período da história brasileira.

Queria sentir, mesmo da frieza da narrativa histórica, a dor de quem foi torturado, dos pais que jamais tiveram os corpos dos seus filhos, dos filhos da pátria que entregaram o seu corpo e molharam com seu sangue o solo brasileiro para que hoje tivéssemos a democracia.

Depois mergulhei nesta percepção quando tive acesso a livros maiores e a conteúdos mais explicativos sobre a ditadura militar. Eu li e me indignei com coisas que um jovem de ensino fundamental ou médio hoje não consegue ler por suas próprias convicções ou deficiências de aprendizado.

O passado obscuro da história brasileira precisava ser repetido a miude nas escolas para que um jovem, politizado ou não, soubesse que a ditadura militar foi uma tragédia para o nosso pais. Que sangue inocente foi derramado por liberdade e democracia.

A ideia de idolatrar generais e torturadores deveria ser repelida com conhecimento. A ditadura, como disse Ulysses Guimarães, deveria ser tratada com ódio e com nojo. Para que nunca mais ninguém se atrevesse a fazer apologia a um golpe, à tortura, a generais que autorizaram matar militantes para silenciar uma ideologia contrária.

As informações que buscava nos livros de história hoje chegam deturpadas nos celulares dos jovens, em fake news (notícias falsas), dando vernizes democráticos a um golpe de estado. Idolatram torturadores, relativizam a morte de pessoas desaparecidas, cujos corpos jamais foram enterrados por suas famílias.

Generais saíram do armário para defender o legado da força bruta. Para defender um regime golpista estabelecido com tanques de guerra e falácias de um domínio comunista. Como hoje.

Entretanto, os tanques de guerra de hoje são os grupelhos fascistas que destroem a democracia ao tentarem eleger nas urnas um fiel escudeiro da tortura. Racista, misógino, homofóbico, xenófobo.

O brasileiro, se conhecesse a sua história de lutas a favor da democracia, não estaria discutindo a possibilidade de eleger um porta-voz da barbárie. Não estaria sequer cogitando a eventualidade de um governo com traços de militarismo. Falta-nos revisitar a história com mais respeito.

Isso não significa que a luta acabou. Considero que ela esteja apenas começando, afinal, vença quem vencer, o Brasil necessitará regressar à sua história para banir da sociedade este ranço fedorento de ditadura. Ainda que ele esteja no judiciário, na instituições públicas, nas fileiras das Forças Armadas, no limbo das mídias sociais.

Não basta somente derrotar o candidato fascista, mas também repelir os focos de ameaça à democracia, de acordo com pesquisas recentes, o sistema político preferido pela maioria da população.

Não adianta refundar a República com discurso demagógico a favor de golpes e trampas para assumir o poder. O dia de hoje pede coragem e inteligência. Para que amanhã, um jovem possa abrir um livro de história e se orgulhar do país que não aceitou mergulhar num projeto fascista.

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