Política

1993: Bolsonaro disse ao NYT que queria ser ditador

1993: Bolsonaro disse ao NYT que queria ser ditador

1993: Bolsonaro disse ao NYT que queria ser ditador

Em 25 de julho de 1993, o então deputado Jair Bolsonaro concedeu entrevista ao New York Times onde defendeu o fechamento do Congresso e o retorno da ditadura.

Em entrevista concedida ao jornal americano New York Times, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que queria ser um ditador. Leia na íntegra da publicação, traduzida pelo NOSSA POLÍTICA:


Entrevista / Jair Bolsonaro; Um soldado que virou político quer devolver ao Brasil ao mando militar

Aplicando à política a ousadia que certa vez demonstrou como paraquedista do exército, o congressista Jair Bolsonaro mergulhou em um território inexplorado poucas semanas atrás, quando subiu ao púlpito da Câmara dos Deputados e pediu o fechamento do Congresso.

Sou a favor de uma ditadura“, ele gritou em um discurso que sacudiu um país que só deixou o poder militar para trás em 1985. “Nós nunca iremos resolver sérios problemas nacionais com essa democracia irresponsável.”

Falando mais tarde em seu escritório, um cubículo decorado com mobília militar e uma grande bandeira brasileira, o magro congressista do Rio de Janeiro disse estar preparado para a reação que se seguiu: o maior jornal do Rio, O Globo, publicou cartuns de primeira página com um dinossauro de bota, e o presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira, exigiu que a Câmara cassasse o seu mandato.

Mas duas semanas depois, algo ainda mais interessante aconteceu: o presidente da Câmara fez uma reviravolta abrupta e se reconciliou publicamente com Bolsonaro. Observador da opinião pública, o líder do congresso aparentemente lia as colunas de cartas dos jornais brasileiros.

“Em todo lugar que vou, as pessoas me abraçam e me tratam como um herói nacional”, afirmou Bolsonaro. “As pessoas nas ruas estão pedindo o retorno dos militares. Eles perguntam: ‘Quando você voltará?’ “

Ele disse que recebeu centenas de telegramas e telefonemas de apoio, e disso ele extrai uma lição que obviamente aceita. “As pessoas veem a possibilidade de disciplina militar tirar o país da lama”.

Certamente, os principais comandantes militares reiteraram sua lealdade ao presidente Itamar Franco, um civil e a maioria dos colunistas de jornais acredita que o Brasil manterá seu calendário político, que prevê eleições no próximo ano para presidente, representantes do Congresso, governadores estaduais e legisladores estaduais. .

Mas para muitos defensores da democracia brasileira, o fenômeno Bolsonaro representa uma luz amarela – um sinal de que as pessoas estão ficando impacientes com o fracasso da democracia em conter a inflação e oferecer um melhor estilo de vida, e um aviso de que políticos autoritários estão ansiosos aproveitar esse estado de espírito e cultivá-lo. O modelo de Fujimori

“Na época do regime militar, a economia cresceu 6% ao ano, você poderia comprar um carro em 36 meses”, disse Bolsonaro durante a conversa em seu escritório. “Hoje, o país mal cresce 1% ao ano. A inflação é intolerável”.

“A verdadeira democracia é a comida na mesa, a capacidade de planejar sua vida, a capacidade de andar na rua sem ser assaltado”, continuou ele. De fato, uma recente pesquisa de opinião pública em Recife, uma das cidades costeiras mais pobres do Brasil, relatou que 70% dos entrevistados achavam que a comida era mais importante do que a democracia.

Bolsonaro, que se formou na escola militar em 1973 (o ponto médio do último período do regime militar), tem agora 38 anos, um congressista de primeiro mandato com um choque indisciplinado de cabelos negros que caem sobre a testa. Em certo sentido, ele é apenas a última encarnação da longa tentação autoritária do Brasil; No último século, o Brasil viveu sob um regime democrático formal por apenas 25 anos. Mas há uma nova reviravolta. Hoje, um modelo novo e menos odioso para o autoritarismo latino-americano surgiu no presidente do Peru, Alberto K. Fujimori.

Diante do impasse no Congresso no ano passado, Fujimori, um civil, ordenou ao Exército do Peru que fechasse o Congresso do país e seus tribunais. Um ano depois, o sr. Fujimori governa com um congresso de uma câmara.

“Eu simpatizo com Fujimori”, continuou o congressista brasileiro. “A Fujimorização é a saída para o Brasil. Estou fazendo essas advertências porque a população é a favor da cirurgia”.

Cirurgia política, continuou Bolsonaro, envolveria o fechamento do Congresso por um período de tempo definido e permitiria que o presidente do Brasil governasse por decreto.

A justificativa para uma ruptura constitucional, disse ele, seria “corrupção política” e a inflação do Brasil, que agora está em 30% ao mês.

Com o Congresso muitas vezes travado em batalhas entre seus 21 partidos, a imprensa do Brasil tem demonstrado um fascínio crescente com o modelo de Fujimori. No mês passado, jornais, revistas e programas de notícias televisivas brasileiros realizaram longas entrevistas com o líder peruano.

Fujimori colocou 400 mil funcionários públicos na rua“, afirmou Bolsonaro. “Como poderíamos fazer isso aqui?”

Quando ele deteve o poder nas décadas de 1960 e 1970, as forças armadas brasileiras expandiram vastamente o setor estatal do Brasil, implantando uma confusão de empresas estatais e monopólios. Hoje, disse Bolsonaro, os líderes das forças armadas preferem trazer o Estado de volta ao básico: defesa, educação e saúde.


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