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Mourão, vice de Bolsonaro, admitiu reduzir o Bolsa Família

Mourão, vice de Bolsonaro, admitiu reduzir o Bolsa Família

Mourão, vice de Bolsonaro, admitiu reduzir o Bolsa Família

Ao discursar na Convenção do PRTB, seu partido, em agosto deste ano, o general Mourão afirmou que as pessoas devem ascender “por seus próprios méritos e não por esmolas”.

Reportagem do Valor Econômico de agosto de 2018 reproduziu uma fala do general Hamilton Mourão no dia da convenção nacional do seu partido, o PRTB. Ele admitiu a possibilidade de reduzir o Bolsa Família se houver crescimento do emprego no país.

Ao discursar, naquele dia ao lado de Jair Bolsonaro, o general Mourão defendeu a meritocracia e disse que as pessoas devem ascender “por seus próprios méritos e não por esmolas”.

O militar afirmou que o programa de transferência de renda — bandeira de gestões federais do PT – tem que ser mantido “por enquanto”, mas disse que se o país crescer economicamente “é óbvio” que os beneficiários sairão “pouco a pouco” do Bolsa Família.

“[É pelo] bem em comum do povo brasileiro, do nosso país, a defesa dos nossos valores, a defesa da integridade do nosso território, do nosso patrimônio, de uma verdadeira democracia onde haja oportunidade para todos e todos ascendam por seus próprios méritos e não por esmolas, onde haja paz social, onde o banditismo, a criminalidade seja banida, onde possamos andar livremente pelas ruas do nosso país”, afirmou no discurso.

Ao falar com jornalistas, disse que o governo não pode manter parcela significativa da população “eternamente recebendo doações”.

Em 2016, o Estadão publicou matéria sobre os números do Bolsa Família. Em números absolutos, são 26,3 milhões de pessoas a menos vivendo abaixo da linha de pobreza – uma redução de 40,5 milhões de pobres para 14,2 milhões em 12 anos.

Na mesma matéria, Sônia Rocha, economista Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), especialista no estudo de pobreza e desigualdade, observou que o mérito do programa é a melhoria na renda dos pobres.

“O Bolsa Família é um programa bem-sucedido de transferência de renda. Não é programa educacional nem de emprego, embora por razões diversas o governo insista em enfatizar esses aspectos. O objetivo primordial do programa tem de ser entendido como redução da pobreza, principalmente da pobreza extrema, o que acaba por ter impacto sobre a desigualdade de renda”, diz a pesquisadora.

E o Mourão chamou o programa de “esmolas”.

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