Blog do Mailson Ramos

William Bonner e a entrevista sem entrevistado

William Bonner e a entrevista sem entrevistado

William Bonner e a entrevista sem entrevistado

Todo estudante de comunicação sabe que o personagem principal de uma entrevista é o entrevistado. William Bonner inverte esta história em ano eleitoral, quando estrela as sabatinas do ‘JN’.

Em 2014, William Bonner e Patrícia Poeta protagonizaram um dos momentos mais ridículos do jornalismo da televisão brasileira ao sabatina a então candidata à reeleição, Dilma Rousseff. Naquela ocasião, os apresentadores do Jornal Nacional interromperam Dilma 8 vezes e usaram 1/3 do tempo de Aécio Neves.

Quatro anos depois, os jornalistas parecem não ter aprendido nada. Muito pelo contrário. Repetiram as interrupções, falaram como se estivessem discursando para o público, demonstraram arrogância e intransigência diante de Ciro Gomes (PDT), primeiro sabatinado do telejornal da Globo nas eleições de 2018.

Na grande mídia não se lê uma linha sobre o ocorrido. Como sempre acontece, o padrão Globo está acima de qualquer crítica, ainda que estas críticas sejam justas e cabíveis. Entretanto, nas redes sociais, o assunto ‘viralizou’. Muitas pessoas criticaram o modo arrogante com que Bonner e Renata encararam a sabatina.

Bonner fez questão de reafirmar o apoio dos brasileiros à Lava Jato e ao Judiciário. Certamente ele não deve ter conferido as últimas pesquisas que apontam para a perda de credibilidade do Judiciário. Em maio de 2018, o levantamento CNT/MDA apontou que 90,3% dos entrevistados acreditavam que a Justiça não trata a todos de maneira igual.

Bonner, com os seus cabelos grisalhos, ainda confunde opinião pública com opinião publicada. Quem apoia as ações do Judiciário – e muitas vezes as coordena (como a matéria de O Globo que serviu como prova no processo contra Lula) – é a mídia. Se existe uma percepção do povo brasileiro sobre a Justiça, ela é negativa.

Ontem (27), o Jornal Nacional reeditou uma prática exclusiva que é a entrevista sem entrevistado. Ou a entrevista onde os entrevistadores são protagonistas. Ciro Gomes foi interrompido, ouviu longas explanações e não perguntas sucintas e objetivas, mas também soube se impor nos momentos em que a palavra não lhe foi cortada.

O presidenciável ainda atirou na cara da dupla de jornalistas que Lula foi o maior presidente da história do país e que o povo sabe disso. Foi tão importante esta declaração que ela se sublima no mar de frases vazias que os entrevistadores vomitaram em rede nacional. O repeteco da narrativa anticorrupção e a ideia de que tudo está bem não cola mais.

O público aguarda agora as próximas sabatinas e o comportamento da bancada do ‘JN’ em relação aos outros candidatos. Será que terão o mesmo comportamento com Jair Bolsonaro (PSL), o sabatinado de hoje (28)?

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