Repercussão

Os erros de Bolsonaro na sabatina da GloboNews

Os erros de Bolsonaro na sabatina da GloboNews

Os erros de Bolsonaro na sabatina da GloboNews

A agência de checagem Lupa publicou os erros, exageros, contradições e acertos de Jair Bolsonaro na sabatina organizada pela GloboNews.

Eu nunca fui homofóbico

FALSO: Em novembro de 2017, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou a condenação de Bolsonaro por dano moral coletivo após dar declarações com teor homofóbico ao programa CQC, da TV Bandeirantes, em 2011. A pena estabelecida em 2015 havia sido uma indenização de R$ 150 mil. No programa de TV, o deputado foi perguntado sobre o que faria se tivesse um filho gay. “Isso nem passa pela minha cabeça, porque eles tiveram uma boa educação. Eu sou um pai presente, então não corro esse risco”, afirmou. O processo ainda tramita na Justiça.

Há outras declarações famosas de Bolsonaro com teor homofóbico. Por exemplo, em debate na TV Câmara, o candidato declarou: “O filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

Em 2011, em entrevista à revista Playboy, disse: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”. Na mesma entrevista, afirmou: “Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar a minha casa! Se eles andarem de mão dada e derem beijinho, desvaloriza”.

Essa declaração [de que mulheres devem ganhar menos do que homens no mercado de trabalho] não é da minha boca. Botaram na minha conta.

FALSO: Há registros públicos da afirmação do candidato sobre mulheres ganharem salários menores do que os dos homens. Em 2016, em entrevista à apresentadora Lucicana Gimenez na RedeTV!, Bolsonaro afirmou: “eu não empregaria [homens e mulheres] com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”. À época, ele fazia referência à origem da polêmica, causada por uma declaração ao jornal Zero Hora em 2014. Naquele ano, o deputado afirmou o seguinte:  “Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher está com aliança no dedo. Daqui a pouco engravida. Seis meses de licença-maternidade’ (…) Por isso que o cara paga menos para a mulher. É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual”.

De acordo com o IBGE, as mulheres ganham em média R$ 542 a menos do que os homens no Brasil. A Lupa checou essa afirmação de Bolsonaro pela primeira vez em abril deste ano. À época, o então pré-candidato afirmou que considerava “injusto” usar a declaração dada à RedeTV! como opinião atual dele sobre o tema. “Se houve um mal entendido em 2016, paciência”, disse. Perguntado sobre sua opinião atual sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, disse que não tem nenhuma.

[Durante a ditadura militar] A nossa economia passou da 49ª para a 8ª economia do mundo

EXAGERADO: Segundo o Banco Mundial, a economia brasileira não era a 49ª do mundo em 1964, quando o golpe militar ocorreu. Dos 104 países para os quais existem dados para aquele ano, o Brasil aparece como a 12ª maior economia, atrás de Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, Itália, China, Índia, Canadá, Argentina, Austrália e Espanha. A lista só mostra países que existem atualmente, portanto, não fazem parte dela Estados que, à época, eram relevantes economicamente, porém não existem mais, como a União Soviética, a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ainda que eles estivessem à frente do Brasil neste ranking, o país ocuparia, no mínimo, a 15ª posição – e não a 49ª.

Em 1985, ano em que os civis voltaram ao poder, o Brasil aparece como 10ª maior economia, tendo ultrapassado Austrália, Espanha e Argentina (para esse ano, já há dados para a Alemanha, ainda que o país tenha sido reunificado quatro anos depois).

Eu detesto o PT, como regra, desde há muito tempo (…), [por]que eu conheço esse pessoal, alguns, desde 1970

CONTRADITÓRIO: Em pelo menos três ocasiões, Bolsonaro fez elogios públicos ao ex-presidente Lula, principal expoente do PT. Em 1999, o então deputado afirmou no programa Câmara Aberta, na Bandeirantes, que “votaria no Lula” contra Fernando Henrique Cardoso e que o via “como uma pessoa honesta”.

Após as eleições de 2002, em discurso no plenário da Câmara, admitiu que votou em Lula no segundo turno das eleições, se referiu ao presidente eleito como “companheiro, já que está na moda” e em seguida elogiou a competência e honestidade de José Genoino, quadro histórico do PT, para ocupar o Ministério da Defesa. Ainda no período pós eleitoral daquele ano, Bolsonaro afirmou que Lula representava uma “esperança” e afirmou que admirava e respeitava o petista por seu “passado e conquista”.

Em outubro de 2017, em entrevista à jornalista Mariana Godoy, o deputado justificou seu apoio ao ex-presidente dizendo que “o Lula era, até aquele momento ali (2002), virgem. A não ser as suas greves ruidosas, que participou no passado, não tinha as mãos sujas de sangue por parte de grupo terrorista nenhum”, opondo o petista ao tucano José Serra, que foi membro da Ação Popular e adversário de Lula na eleição daquele ano.

Joaquim Barbosa se referiu à minha pessoa como o único deputado da base aliada que não foi comprado pelo PT

EXAGERADO: Em seu voto no julgamento do Mensalão, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa citou a votação da Lei das Falências, em 2003, como um dos exemplos da compra de votos no Congresso Nacional. Barbosa disse que, naquele caso, “os líderes dos quatro partidos [PTB, PP, PL e PMDB] cujos principais parlamentares receberam recursos em espécie do PT orientaram suas bancadas a aprovar o projeto (…). Somente o sr. Jair Bolsonaro, do PTB, votou contra a aprovação da referida lei”. Mas o ex-ministro também afirma que “vários parlamentares do PT também desobedeceram à orientação da liderança do partido e do governo e votaram contra”.

Vale lembrar que, em 2018, o ex-ministro disse, em entrevista, que considera Bolsonaro “um risco para o país”, junto com o presidente Michel Temer (MDB) e a possibilidade de um golpe militar.

A população nossa, 80% [está] inadimplente

EXAGERADO: Segundo o Sistema de Produção de Crédito (SPC), o número de pessoas inadimplentes no Brasil chega a cerca de 63 milhões. Os dados são de julho deste ano. Isso equivale a 30% da população brasileira, estimada em 208 milhões pelo IBGE.

No governo do PT foram criadas em torno de 50 estatais

EXAGERADO: De acordo com dados do Sistema de Informações das Estatais do Ministério do Planejamento, o Brasil tem hoje 144 empresas estatais federais. Delas, 25 foram criadas na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). A presidente Dilma Rousseff (2011-2016) criou outras 13. Portanto, 38 estatais foram criadas durante o governo petista.

(…)

Confira a íntegra da checagem aqui.

As informações são da Agência Lupa, na revista Piauí.

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