Editorial

Editorial | O PT esticou a corda

Editorial | O PT esticou a corda

Editorial | O PT esticou a corda

A candidatura do ex-presidente Lula era questão de honra para os petistas, mas também uma maneira de manter vivo o ícone popular. Enquanto isso, a corda esticava.

O PT sabia que para manter o Lula vivo no processo eleitoral precisava, como disse Ciro Gomes, dar um cavalo de pau à beira do precipício. Sabia dos riscos, de que a estratégia não desse certo. Mas talvez esticar esta corda tenha sido a única maneira de mostrar que existe uma perseguição do judiciário contra Lula.

O processo de judicialização da política e de politização do judiciário mata aos poucos a democracia. Seria muito cômodo se o PT admitisse um substituto para Lula e entrasse de vez no jogo da antidemocracia, sob regras de um jogo fraudado – não nos esqueçamos de que quem chancelou o golpe foi o judiciário, com Supremo, com tudo.

Impor sobre Lula o silêncio e o esquecimento é tudo que a turma de Curitiba quer. Eles não querem que o ex-presidente receba sequer os advogados; não pode dar entrevistas; na visão fascista dos carcereiros, Lula deveria ser cimentado, isolado, deixado ao esquecimento. Enquanto os donos das malas de dinheiro se refestelam com a parcialidade desta mesma justiça.

A estratégia pode não ser a melhor, mas o que se pode fazer para combater um poder persecutório que se traveste de moralizador? Está escrito nas estrelas que a candidatura de Lula será impugnada por Luís Roberto Barroso, responsável por julgar os pedidos da PGR, Kim Kataguiri, Alexandre Frota e João Amoêdo (este último não somente pede a impugnação de Lula como o impedimento de toda a chapa petista).

É contra esta sanha fascista que luta o PT, tentando preservar a imagem do seu principal líder que foi preso sem a apresentação de uma única prova, por ato de ofício indeterminado, com base em notícias de jornal e delações sem fundamento. Isso, porém, provoca indefinição no processo eleitoral.

Os candidatos, com raras exceções, são despreparados, representam os golpistas ou são a cara do fascismo. Quanta falta faz um Lula. Quanta falta faz um candidato que pensa no povo, no combate à desigualdade, na classe trabalhadora. No final das contas, vale a pena esticar a corda.

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