Política

Bolsonaro é “uma ameaça à democracia”, diz Economist

Bolsonaro é “uma ameaça à democracia”, diz Economist

Bolsonaro é “uma ameaça à democracia”, diz Economist

Para o Economist, Jair Bolsonaro representa um perigo, uma ameaça à democracia. Ele invadiu as primeiras fileiras dos candidatos por meio de uma combinação de provocação ultrajante e domínio das mídias sociais.

NOSSA POLÍTICA traduziu artigo publicado no jornal inglês:


Faltando apenas dois meses para o primeiro turno das eleições no Brasil, ninguém tem a menor ideia do que vai acontecer. O principal candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente de esquerda, está na cadeia; os tribunais quase certamente o impedirão de concorrer. O restante do campo presidencial está fragmentado – nenhum candidato tem mais de 20%. A menos que alguém obtenha a maioria, a votação irá para a segunda rodada em 28 de outubro. No momento, qualquer uma das quatro ou cinco pessoas poderia vencer.

A provável desqualificação de Lula é apenas uma das muitas razões pelas quais essa eleição é especialmente preocupante. Seus partidários estão convencidos de que ele foi injustamente isolado, que as acusações de corrupção contra ele são falsas e que sua sentença de 12 anos é excessiva. Sua remoção da corrida prejudicará sua confiança nele. Mas sob uma lei que o próprio Lula assinou quando era presidente, os condenados podem não concorrer ao cargo. Os tribunais devem aplicá-lo.

Sua saída aumentaria um segundo perigo – que Jair Bolsonaro, um político da direita que é o segundo colocado nas pesquisas, se tornará o favorito. O ex-capitão do Exército invadiu as primeiras fileiras dos candidatos por meio de uma combinação de provocação ultrajante e domínio das mídias sociais. Mesmo que ele não ganhe, o fato de ter chegado tão longe mostra que o centro da política está desmoronando. Rejeitar o Sr. Bolsonaro seria a melhor maneira de reforçá-lo.

Até recentemente, ele era um congressista obscuro, cujo principal talento era ofender os outros. Em 2011 ele disse que preferiria um filho morto a um gay. Em 2014 ele disse a uma congressista que ele não iria estuprá-la porque ela era “muito feia”. No ano passado, um tribunal o multou por insultar pessoas que vivem em quilombos, assentamentos fundados por escravos fugidos.

Bolsonaro teria permanecido como uma figura marginal, mas pelos traumas que o Brasil sofreu nos últimos quatro anos. A economia sofreu sua pior recessão em 2014-16 e está se recuperando de forma hesitante. Em 2016, um recorde de 62.517 brasileiros foi assassinado. Os casos de corrupção Lava Jato (“Car Wash”) levaram a investigações e acusações de figuras importantes em todos os grandes partidos políticos e desacreditaram toda a classe política.

O Sr. Bolsonaro propõe soluções brutais para os problemas do seu país. Ele acha que “um policial que não mata não é um policial” e quer reduzir a idade de responsabilidade criminal para 14. Esse punho de ferro pertence a uma visão de mundo autoritária. Em 2016, dedicou seu voto a impugnar a então presidente Dilma Rousseff a Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante de uma unidade policial responsável por 500 casos de tortura e 40 assassinatos durante a ditadura do Brasil. A acusação contra Dilma Rousseff, que pertence ao Partido dos Trabalhadores de Lula, não tinha nada a ver diretamente com a Lava Jato. Mas ao prestar tributo a Ustra, o Sr. Bolsonaro estava afirmando que os valores da ditadura, que governou em 1964-85, são o antídoto para a corrupção de hoje. Bolsonaro reforçou essa mensagem ao nomear Hamilton Mourão, um general aposentado, como seu companheiro de chapa. No ano passado, ainda de uniforme, Mourão sugeriu que, se outras instituições não conseguissem resolver os problemas do Brasil, o exército poderia. A esquerda é principalmente a culpada pelos males do país, na visão tingida pela guerra fria do senhor Bolsonaro.

Para brasileiros cansados ​​de políticos, Bolsonaro parece um antipolítico. Alguns empresários estão flertando com ele. Eles gostam de sua retórica sobre o crime e estão intrigados com sua recente conversão ao liberalismo econômico (ele defende a privatização de algumas empresas estatais).

No entanto, o senhor Bolsonaro faria um presidente desastroso. Sua retórica mostra que ele não tem respeito suficiente para que muitos brasileiros, incluindo gays e negros, governem de forma justa. Há pouca evidência de que ele entende os problemas econômicos do Brasil bem o suficiente para resolvê-los. Suas genuflexões à ditadura fazem dele uma ameaça à democracia em um país onde a fé nela foi abalada pela exposição do suborno e a miséria da crise econômica.

Mais de 60% dos brasileiros dizem que nunca votarão nele, mais de três vezes a parcela daqueles que afirmam ter seu apoio. Ele não tem apoio de nenhum partido político forte. Se ele chegar ao segundo turno, as chances são de que os eleitores escolham com relutância a alternativa, talvez Geraldo Alckmin, um candidato de centro. Ele não merece chegar nem tão longe.

Não há espaço para complacência. Outros países com a mistura do crime no Brasil, o fracasso da elite e a agonia econômica elegeram líderes radicais que os especialistas rejeitaram como não-hoppers. Isso poderia acontecer novamente.


Deixe um Comentário!