Nossa Política » Repercussão » Quem é o procurador que cobra explicações do Facebook no caso MBL?
Repercussão

Quem é o procurador que cobra explicações do Facebook no caso MBL?

Quem é o procurador que cobra explicações do Facebook no caso MBL?
Quem é o procurador que cobra explicações do Facebook no caso MBL?
O procurador Ailton Benedito deu prazo de 48 horas para que o Facebook envie a relação de todas as contas banidas no caso MBL.

Ailton Benedito é figurinha carimbada no Twitter. Os seus posts são polêmicos – e muitos deles desprovidos de qualquer conhecimento histórico. Num deles, Benedito afirmou: “Partido Nacional SOCIALISTA dos Trabalhadores Alemães, conhecido como NAZISTA. Os próprios nazistas se declaravam SOCIALISTAS”.

No Globo, Arnaldo Bloch explicou para o procurador que os nazistas não eram socialistas. E que o tuíte de Benedito mostrava algumas lições, a primeira delas talvez a mais importante: Vem sendo notado o fenômeno da multiplicação cavalar de promotores sem qualquer noção histórica, sem base em humanidades, sem leitura de filosofia, sem literatura.

Em novembro de 2014, o  nome de Benedito apareceu nacionalmente quando pediu explicações ao Itamaraty sobre o suposto envio de crianças e adolescentes do Brasil para treinamento armado na Venezuela. Soube-se depois que o “Brasil” que enviava as crianças era uma comunidade no estado de Sucre, no país vizinho – para oficinas de jornalismo, e não instrução militar. O procurador defende-se, afirmando que apenas “pediu uma investigação” sobre a denúncia e “incluiu nos autos” que a informação teria vindo de um jornalista, Claudio Tognolli (blogueiro conhecido por seu ativismo antipetista, autor de Assassinato de Reputações), e que, portanto, seria necessário averiguar.

O procurador voltou a ressoar país afora quando acionou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para que divulgasse com antecedência quais seriam os conceitos de direitos humanos usados como referência para corrigir as redações do Enem 2016. A intervenção era uma resposta à prova do ano anterior, quando o tema da redação foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, assunto que desagradou Benedito.

Discussão sobre gênero, aliás, está entre as causas combatidas pelo procurador – para ele, violência de gênero não existe. “Olha, existe violência contra mulher, contra homem, contra criança”, diz, e repete o argumento de muitos militantes contrários ao que chamam de “ideologia de gênero”. “Isso para mim é um desvirtuamento do que está previsto na Constituição. Sou contra qualquer tipo de discriminação. Mas, no que diz respeito à imposição de uma ideologia de gênero, para mim é uma violência contra as vítimas, contra os estudantes, crianças, que estão sendo obrigados a receber essa carga de informação no momento de suas vidas em que não estão preparados para absorver.”

A confiança do procurador não se abala, mesmo que os números sobre violência contra a mulher no Brasil sejam expressivos – pesquisa do Datafolha de 8 de março, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, revelou que 503 mulheres brasileiras são vítimas a cada hora. “É violência de homem contra a mulher, violência de sexo. Essa coisa de não existir sexo se não for uma construção social, isso para mim não existe. Para mim, é homem e mulher. A mulher é vítima de violência dentro de seu lar, isso tem de ser atacado, mas essa categorização de gênero eu não reconheço.”

Ele reconhece os transgêneros – “eles existem” –, mas não aceita o nome social. Argumenta que uma “categoria” não pode ter “direitos a mais”, como o de trocar o nome de homem por um de mulher, por causa de sua condição sexual. “Você cria a possibilidade de um nome social para atender aos desígnios e vontades de uma pessoa, de alguma categoria, quando você pode ter outros grupos de pessoas que também podem querer ter um nome social. Por exemplo, eu me chamo Ailton e poderia querer me chamar João.”

Ele reclama que essa discussão tem levado a muita “exacerbação” por parte de grupos como os defensores de direitos dos LGBTs, e atribui a eles um “discurso ideológico de confrontação às igrejas”. Mas, pergunto, quais frações e ativistas desses grupos se insurgiram contra denominações religiosas? “Teve um caso em São Paulo de uma pessoa dessa categoria [LGBT] pegando um crucifixo e enfiando no ânus.” Neste caso, era notícia falsa. Todos os anos vazam na internet, depois da Parada Gay paulistana, supostas fotos de manifestantes com ofensas a símbolos cristãos. O Boatos.org, site que checa informações na internet, investigou fotos e apontou as que nada tinham a ver com a Parada Gay 2017, entre elas a de um crucifixo que bate com a descrição do procurador.

Crítico contumaz da esquerda ou, como diz, da “esquerdopatia”, o procurador classifica detratores da força-tarefa da Lava Jato no MPF e das decisões do juiz Sérgio Moro de “juristas da orcrim”. Da mesma forma considera todos os apoiadores “da organização criminosa que tomou de assalto o país” a partir de 2003 como membros desta mesma orcrim. Benedito mostra pouco apreço a nuances: para ele, nazismo e socialismo são “irmãos gêmeos”. “Os nazistas eram socialistas, nazismo é gêmeo, tem a mesma árvore que o socialismo. Agora, os socialistas são muito mais amplos.”

Com informações da revista Piauí.