Cultura

Samba é patrimônio cultural imaterial do Brasil

Samba é patrimônio cultural imaterial do Brasil

Samba é patrimônio cultural imaterial do Brasil

A piada de muito mau gosto do cantor César Menotti, da dupla com Fabiano, é parte da cultura preconceituosa que criminaliza tudo aquilo que vem do povo. Deveria ele, como cantor, saber que o samba é patrimônio cultural imaterial do Brasil.

NOSSA POLÍTICA repercute dois artigos que noticiam o estabelecimento do samba de roda baiano e do samba carioca como patrimônios culturais imateriais do Brasil pelo Iphan:


Samba de roda baiano é considerado Patrimônio Cultural

O samba de roda do recôncavo baiano foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2004 e proclamado Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2005. É uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva das mais importantes e significativas da cultura brasileira. Seus primeiros registros, já com esse nome e com muitas das características que ainda hoje o identificam, datam dos anos 1860.

O Samba de Roda pode ser realizado em associação com o calendário festivo – caso das festas da Boa Morte, em Cachoeira, em agosto, de São Cosme e Damião, em setembro, e de sambas ao final de rituais para caboclos em terreiros de candomblé. Mas ele pode também ser realizado em qualquer momento, como uma diversão coletiva, pelo prazer de sambar.

Historiadores da música popular consideram o Samba de Roda baiano como uma das fontes do samba carioca que, como se sabe, veio a tornar-se, no decorrer do século XX, um símbolo indiscutível de brasilidade. A narrativa de origem do samba carioca remete à migração de negros baianos para o Rio de Janeiro ao final do século XIX, que teriam buscado reproduzir, nos bairros situados entre o canal do Mangue e o cais do porto, seu ambiente cultural de origem, onde a religião, a culinária, as festas e o samba eram partes destacadas. Parece indiscutível que as famosas tias baianas – como tia Amélia, tia Perciliana e sobretudo tia Ciata – e seus filhos – como Donga e João da Baiana – tiveram papel de relevo na fase pioneira do samba no Rio de Janeiro, sobretudo até meados dos anos 1920.

Depois disso, o Samba de Roda baiano continuou sendo uma das referências do samba nacional, presente nas obras de baianos nacionais como Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso, assim como na ala das baianas das escolas de samba e nas letras de inúmeros compositores de todo o País.

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Samba carioca é tombado patrimônio cultural do Brasil

Após três anos de avaliação do pedido de registro das matrizes do samba do Rio de Janeiro como patrimônio cultural do Brasil, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) anunciou na última quarta-feira (10), na capital fluminense, o tombamento do samba carioca. O processo foi instaurado a pedido do Centro Cultural Carioca, da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), por intermédio da Seppir em parceria com o corpo técnico do Iphan.

“Existem jovens produzindo coisas muito boas. O registro fortalece ainda mais as raízes da nossa música e isso é de interesse de todas as gerações”, disse Leci Brandão, integrante do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) – órgão consultivo da Seppir.

A documentação que compõe o dossiê baseou-se em pesquisa realizada junto às seis escolas de samba mais antigas do Rio de Janeiro (Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Império Serrano e Estácio de Sá), parceria entre a Seppir e o Ministério da Cultura com orientação técnica do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan.

Para Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e vice-presidente do Centro Cultural, “o samba é vivo, dinâmico. A intenção do registro é valorizar e preservar as matrizes do samba no Rio de Janeiro”.

Ponto de partida

O reconhecimento do samba de roda no Recôncavo baiano como patrimônio cultural do Brasil, em 2004, e a sua inclusão, em 2005, na lista de bens do Programa da Unesco das Obras-Primas do Patrimônio Oral da Humanidade motivaram o Centro Cultural Cartola a propor a análise dos variados estilos de samba que surgiram no Rio de Janeiro no início do século XX, nas reuniões musicais em casa de Tia Ciata, no bairro do Estácio, nas escolas de samba, nos blocos, nos morros, nas ruas e quintais.

A pesquisa e o pedido de registro formulados pelo Centro Cultural Cartola estão focados no samba de terreiro, no partido-alto e no samba-enredo, formas de expressão matriciais do samba no Rio de Janeiro. O primeiro estilo faz referência aos terreiros, espaços de encontro e celebração dos sambistas, que ali cantam e dançam um samba livre que traz as marcas de sua ancestralidade. O samba de terreiro fala sobre as experiências da vida, o amor, as lutas, as festas, a natureza e a exaltação das escolas e do próprio samba.

Já o partido-alto nasceu das rodas de batucada, nas quais o grupo marca o compasso batendo com a palma da mão e repetindo versos envolventes. A partir da estruturação das primeiras escolas de samba, no final da década de 1920, o samba adaptou-se às necessidades do desfile, criando-se uma nova estética e uma nova modalidade: o samba-enredo. Ele agrega características do samba de terreiro e do partido-alto, como, por exemplo, a presença marcante do refrão e a inclusão de experiências e sentimentos dos sambistas.

Trabalho árduo

O “Dossiê das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: Partido-alto, Samba de terreiro, Samba-enredo foi realizado entre janeiro e outubro de 2006 e buscou explicitar aspectos das dimensões melódicas, harmônicas, rítmicas e coreográficas dessas formas tradicionais de samba, caracterizar seus contextos de prática e revelar seus principais personagens.

O documento aponta também ações e políticas necessárias para a valorização e salvaguarda dessas expressivas manifestações da cultura brasileira. Além de pesquisadores e colaboradores, vários sambistas participaram ativamente do trabalho, como Monarco, Xangô da Mangueira e Nélson Sargento.

O registro das matrizes do samba no Rio de Janeiro se insere num projeto de âmbito nacional de reconhecimento e valorização das formas de samba que constituem referências culturais da população brasileira. Já foram registrados, no campo do projeto, além do samba de roda do Recôncavo baiano, o jongo na região Sudeste e o tambor de crioula no Maranhão. O trabalho deve abranger ainda o samba de coco nordestino, o samba rural paulista e outras formas de samba tradicionais.


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