Escavadeira

O general francês que veio ‘ensinar’ tortura aos ditadores brasileiros

O general francês que veio ‘ensinar’ tortura aos ditadores brasileiros

O general francês que veio ‘ensinar’ tortura aos ditadores brasileiros

O general francês Paul Aussaresses defendeu abertamente o recurso da tortura na Guerra da Argélia (1954-1962) e foi acusado de treinar militares latino-americanos; ele serviu como adido militar no Brasil durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979).

Do Estadão:


Nos anos 60, o general francês havia ensinado no campo dos boinas verdes de Fort Bragg, no Estado americano da Carolina do Norte, “as técnicas da batalha de Argel” relativas especialmente à tortura. Em 1973, durante a ditadura militar brasileira, ele foi nomeado adido militar na embaixada francesa em Brasília.

O general chileno Manuel Contreras – fundador da Dina, a polícia política do regime de Augusto Pinochet – atribuiu a Aussaresse o treinamento, no Brasil, de oficiais do Chile e de outros países latino-americanos. As declarações de Contreras foram registradas no documentário Esquadrões da morte, a escola francesa, da cineasta Marie-Monique Robin. O funeral de Aussaresses foi marcado para a terça-feira em La Vancelle, povoado do leste da França onde ele vivia, segundo a associação de ex-paraquedistas.

O general, que comandou os serviços de inteligência franceses em Argel durante a guerra, foi condenado por apologia à tortura no fim de um longo processo na França. Em 2001, o oficial tinha admitido em seu livro Services spéciaux, Algerie 1955-1957 (Serviços especiais, Argélia 1955-1957) que havia praticado tortura, afirmando que o procedimento era “tolerado, quando não recomendado” pelos políticos de seu país. Em 2004, ele foi condenado pela Justiça francesa.

O general sustentava que a tortura “torna-se legítima quando a urgência se impõe”. “Era raro que os presos interrogados durante a noite continuassem vivos ao amanhecer. Falassem ou não, eles (os detentos) eram geralmente neutralizados”, acrescentou.

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