Opinião

É hora de greve geral

É hora de greve geral

É hora de greve geral

O início da greve dos petroleiros nesta segunda-feira (28) é um ponto de partida importante para reforçar o chamamento para outras categorias de trabalhadores na direção da construção de uma greve geral.

Nossa Política reproduz artigo de Milton Alves* sobre a necessidade de se pensar na convocação de uma greve geral:


Hora de unificar as lutas e convocar a greve geral para preservar a democracia

O país foi sacudido exatamente há uma semana por um poderoso e profundo movimento de paralisação dos caminhoneiros autônomos, a maioria e força motriz da greve, que afetou o conjunto da vida nacional e deixou o governo golpista de Temer em estado terminal. Nesse momento crítico, volátil e de alta octanagem, é preciso encontrar uma saída política para escoar o descontentamento popular crescente, que pode vir a se transformar num transbordamento sem rumo e controle.

É hora de agir, agir com energia e ousadia política e organizativa. Os caminhoneiros, transportistas pequenos e médios, cegonheiros, motoboys, motoristas de vans, ubers, chapas, demonstraram uma incrível capacidade de luta e resistência, galvanizando o apoio e a simpatia da maioria da população. São categorias sem a tradição de luta sindical e organizativa do sindicalismo convencional de tipo fordista e corporativo. São categorias de trabalhadores precarizados e brutalmente explorados pelo capital — com uma forte cultura individualista na luta pela sobrevivência material.

O debate miserável e tosco levantado por setores da esquerda sindical sobre o caráter do movimento (se greve ou locaute) é insano e imobilista. Ao contrário, o papel que cabe às centrais sindicais e sindicatos classistas é o de buscar generalizar e universalizar o movimento iniciado pelos caminhoneiros. É hora de convocar os trabalhadores à luta, dialogar com as demandas mais sentidas pelo povo trabalhador e pobre, unificando o movimento com base num programa que derrote o governo golpista e preserve a democracia.

Um velho revolucionário russo, do início do século XX, disse que há momentos em que o poder político se “transfere para as ruas”. É pegar ou largar! No momento, trata-se disso. Não há espaços vazios na luta política pelo poder. A única maneira de derrotar as tentativas de aventuras da direita é colocar em movimento o povo trabalhador, convocando uma greve geral.

O início da greve dos petroleiros nesta segunda-feira (28) é um ponto de partida importante para reforçar o chamamento para outras categorias de trabalhadores na direção da construção de uma greve geral.

A CUT e o conjunto das centrais sindicais precisam imediatamente formular os caminhos no sentido da preparação da greve geral. Não é hora de perder tempo com tentativas de negociação com o governo Temer/PSDB, como a infeliz nota das centrais divulgada na sexta-feira (25) propondo uma intermediação entre Temer e os caminhoneiros. É hora de agir no sentido contrário: organizar e unificar a luta dos trabalhadores.

Para a esquerda política e partidária, em especial ao PT e PSOL, o momento exige a mais completa integração com a luta dos trabalhadores, defendendo um programa de ruptura com o golpismo neoliberal, de defesa da soberania nacional e dos direitos democráticos e sociais.

A conjuntura abriu uma oportunidade. É pegar ou largar!

*Milton Alves é ativista social e militante do PT de Curitiba.


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