Blog do Mailson Ramos

Casamento real e as pautas de uma nação enganada

Casamento real e as pautas de uma nação enganadaCasamento real e as pautas de uma nação enganada

Casamento real e as pautas de uma nação enganada – Foto: Ben Birchall/Pool via REUTERS

A mídia estabeleceu que um casamento da realeza inglesa é mais importante do que qualquer fato neste fim de semana. O agendamento é mais uma comprovação de que o Brasil entrega-se à vocação de país eternamente colonizado.

A mídia apoiou um golpe de estado que devolveu o Brasil ao passado, ao tempo em que pais tinham que fazer caixões para enterrar os seus filhos recém-nascidos; ao período obscuro das negociatas escusas para entregar o patrimônio nacional a preço de banana; da época triste do desemprego, da economia em derrocada, do dólar nas alturas.

Antes de derrubar Dilma, prometeram o céu. Os filhos da burguesia exibiam cartazes pedindo a Dilma que baixasse o valor do dólar para voltarem à Disneylândia. Com a saída do PT – e a assepsia, nas palavras de Ronaldo Caiado (DEM-GO), logo após a votação pelo impeachment no Senado – a economia seria recuperada.

A mídia, dando voz à burguesia, reclamava do preço da gasolina em manchetes cujo discurso já não se escondia como linguagem jornalística. Era claro que o apoio à queda de Dilma partia das redações. Era preciso vencer o petismo para melhorar a situação do país.

Hoje, diante dos resultados desastrosos do golpe, a mídia procura por pautas que entorpeçam a sociedade. Uma delas é o casamento do príncipe Harry e da atriz Meghan Markle. É uma notícia comum. Não há relação especial com as vivências de nossa sociedade, exceto pelo ranço de colonização que nos aflige.

A mídia empurra goela abaixo um evento europeu que nada tem a ver com os brasileiros, não influenciará em nada a relação entre os países, não tem simbologia alguma do ponto de vista das relações diplomáticas. Alguns citam o fato de a noiva ser negra e entrar na família real inglesa…

Ora, essa discussão é carregada de ilusões. E, além disso, os brasileiros precisam discutir a sua própria condição diante da crise. Não as posições das peças no xadrez da monarquia inglesa. O Brasil precisa discutir as posições das peças no xadrez das eleições, de como escapar da crise, do nosso futuro além do golpe que destruiu tudo, das arbitrariedades dos juízes que hoje decidem tudo, até quem será o presidente da República.

Enquanto estiver de olhos vidrados na ilusão de um casamento de conto de fadas, a massa deixa de pensar no futuro do seu próprio país. Enquanto se embebe com as torpezas da mídia, os brasileiros sequer observam a condição à sua volta. E isso não é novidade.

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