Política

Sérgio Moro, o poderoso chefão

Sérgio Moro, o poderoso chefão

Sérgio Moro, o poderoso chefão

Em palestra para uma associação de alunos brasileiros em Harvard, o juiz Sérgio Moro utilizou ‘O Poderoso Chefão’ para ilustrar a corrupção no Brasil. Esqueceu-se de dizer que a figura do ‘Godfather’ tem mais a ver com ele, que não se submete nem mesmo às decisões do STF.

Com seu inglês sofrível, Sérgio Moro apelou para o enredo de O Poderoso Chefão ao tentar explicar como funciona o crime do colarinho branco no Brasil em fala a estudantes, advogados, procuradores e juízes na Universidade de Harvard, nos EUA, na semana passada.

Moro esqueceu-se, porém, de dizer que ele é o poderoso chefão. Porque não respeita as decisões judiciais nem mesmo do Supremo Tribunal Federal. Um dia depois de a 2ª Turma do STF decidir retirar da 13ª Vara Federal de Curitiba os processos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, Moro afirmou que não acataria a decisão até a publicação do acórdão pelos ministros da Suprema Corte.

E não parou por aí. Ontem (28), Moro manteve a extradição de Raul Schmidt, mesmo após a 3ª Turma do TRF-1 conceder habeas corpus ao investigado pela Lava Jato (que está preso em Portugal). O desembargador Ney Bello, que é presidente da 3ª Turma do TRF-1, criticou a decisão de Moro.

“O que é intolerável é o desconhecimento dos princípios constitucionais do processo e das normas processuais penais que regem estes conflitos, sob o frágil argumento moral de autoridade, e em desrespeito ao direito objetivo. A instigação ao descumprimento de ordem judicial emitida por um juiz autoriza toda a sociedade a descumprir ordens judiciais de quaisquer instâncias, substituindo a normalidade das decisões judiciais pelo equívoco das pretensões individuais”, afirmou Ney Bello.

Para Eloísa Machado de Almeida, especialista em Direitos Humanos e uma das coordenadoras do Supremo em Pauta, é difícil saber o que as decisões, tanto do Supremo, quanto de Moro, podem significar em termos práticos. Mas ela arrisca dizer que o juiz de Curitiba está “inaugurando uma queda de braço” com o STF.

“Eu acho que ele está inaugurando uma queda de braço com o Supremo. O que ele diz é que o acórdão sequer foi publicado, o que é verdade, e que não há uma referência direta sobre quais partes do processo devem ser remetidas a São Paulo. Ou seja, Moro está resistindo a essa decisão. Por isso acho que muito em breve teremos um novo pronunciamento do Supremo sobre isso. Talvez explicando quais fatos relativos ao processo de Atibaia não têm conexão com a Petrobras, justificando assim a decisão de tirar da Lava Jato”.

Sérgio Moro se estabeleceu como se fosse o único juiz honesto do país ou o único capaz de julgar grandes processos. O STF, que deu asas a esta megalomania, agora tenta conter um ego inflado que se caracteriza pela intransigência às decisões contrárias ao seu juízo. Quem vai vencer esta queda de braço?

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