Editorial

O PT errou ao confiar numa justiça viciada

O PT errou em confiar numa justiça viciada

O PT errou em confiar numa justiça viciada

Desde o ultimato da ministra Cármen Lúcia ao PT (para nós uma ameaça da presidente da Suprema Corte a um partido político), a defesa de Lula se baseou apenas na esperança vã de que o STF o livrasse da perseguição. Mas como, se o STF é o símbolo dessa justiça falha?

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cuspiu na Constituição de 1988. Ela já havia sido rasgada em 2016, quando a Suprema Corte fechou os olhos para o impeachment de Dilma Rousseff.

O mesmo tribunal que repudiou a guerra do PT ao judiciário – este sistema de vergonhosas castas – aceitou a ameaça de generais do Exército e a pressão popular. Quando dizem que não podem ouvir o clamor das ruas para basear os seus votos, suas excelências, os ministros, estão se referindo a que ruas?

Porque se o clamor vem das ruas adjacentes da Avenida Paulista, de Copacabana, da Barra, é bom ouvir. Mas se o clamor vem das massas silenciadas das periferias da cidade… Ah, essas não podem interferir na autonomia do judiciário e nas decisões do tribunais.

Ontem (4) foi um dia triste para o Brasil porque ficou evidente a parcialidade do judiciário representado na figura de duas mulheres que cederam aos apelos de quem quer o Lula preso, colocando a Constituição sob as suas vontades pessoas ou das vontades de grupos hegemônicos.

Rosa Weber votaria pela concessão do habeas corpus, mas não o fez porque queria aderir à decisão do colegiado. Ou seja, de modo brusco, ela foi nada mais que ‘Rosa vai com as outras’. O voto foi rebuscado. A ministra utilizou termos técnicos e expressões finas para no final fazer aquilo que também fez com o José Dirceu: “A literatura me permite condená-lo”.

Cármen Lúcia deu o drible de chaleira em Celso de Mello e em Marco Aurélio Mello ao não pautar ação geral sobre a prisão após condenação em segunda instância – e votar apenas o habeas corpus de Lula. No final, ela ainda coroou o bolo com a cereja do sexto voto contra o ex-presidente. O país está se acostumando com a lascívia fascista. O costume de rasgar as leis por um ideal pro societate.

Jurisprudência, apego Constitucional e respeito às leis estão sempre subjugadas à Lava Jato, às decisões de Sérgio Moro. E o PT respeito. Calou-se no devido momento, acreditando que a Constituição fosse respeitada e Lula pudesse aguardar o julgamento no STJ em liberdade. Agora aparecem ideias como cordão humano para isolar o ex-presidente, vigílias, mobilizações atrasadas.

O PT errou ao acreditar nesta justiça falha que não abre mão de servir aos interesses e pressões de um poder hegemônico cada vez mais forte. As massas já deveria ter sido mobilizadas pelo Lula, por suas ideias e por aquilo que ele representa para o país. Mobilizar para mostrar que a prisão de um homem não significa a prisão dos seus ideais. Agora é correr contra o tempo.

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