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E se o papa vier visitar o Lula? Vai ser barrado também?

E se o papa vier visitar o Lula? Vai se barrado também?
E se o papa vier visitar o Lula? Vai ser barrado também?
Após as negativas de visitas do filósofo Leonardo Boff e do Nobel da Paz Pérez Esquivel a Lula, o jornalista Ricardo Kotscho questiona: E se o papa Francisco, argentino como Esquivel, pedir para visitar Lula, vai ser barrado também?

Do Balaio do Kotscho:


Mesmo barrado pela decisão de uma juíza federal de Curitiba, Adolfo Perez Esquivel, Premio Nobel da Paz, apresentou-se às 10 horas da manhã desta quinta-feira para visitar o ex-presidente Lula no cárcere em que se encontra isolado na sede da Polícia Federal em Curitiba.

São 13h50 quando começo a escrever este post e não há notícias nos principais portais informando se Esquivel conseguiu ou não visitar o seu velho amigo.

Será que isso também é considerado normal num país em que cada um faz a sua própria lei e só se noticia o que é de interesse dos donos do poder?

É possível que ninguém no governo brasileiro tenha se dado conta até agora do vexame internacional causado por este gesto autoritário de impedir um Premio Nobel de entrar nas suas dependências carcerárias?

Encarregado de zelar pela imagem do Brasil no exterior, será que o Itamaraty não tem nada a dizer, não vai tomar nenhuma providência? Só está preocupado com a Venezuela?

Segundo o site da revista Fórum, as advogadas de Esquivel encaminharam ao STF uma petição com cópias do pedido de inspeção das instalações e autorização da visita pessoal a Lula, mas não receberam resposta.

Esquivel protocolou uma comunicação de inspeção com anotação de urgência baseada nas regras Mínimas para Tratamento de Presos da ONU, conhecidas como “Regras de Mandela”.

Fundador do Servicio Paz e Justicia da Argentina, entidade de defesa de direitos humanos que corresponde à Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo criada por D. Paulo Evaristo Arns, Esquivel é membro do sistema de ONGs da ONU desde 1986.

Aos 87 anos, pacifista por natureza, que perigo ele pode representar para a ordem pública e do presídio ao visitar o septuagenário Lula?

Esquivel foi preso político na ditadura militar argentina e visitou a nossa Comissão de Justiça e Paz no auge da repressão militar no Brasil.

Estive com Esquivel em meados dos anos 70 durante um encontro com D. Paulo Evaristo na casa do jornalista Ricardo Carvalho e posso garantir que se trata de um homem afável que dedicou a sua vida a lutar por justiça onde fosse necessário.

Se até o Prêmio Nobel é barrado, que chances eu tenho de visitar meu amigo Lula? Será que ele foi condenado também à incomunicabilidade?

E se o papa Francisco, argentino como Esquivel, pedir para visitar Lula, vai ser barrado também?

Como cidadão brasileiro, sinto vergonha pelo que estamos passando, mostrando ao mundo nossa pior cara _ a cara da intolerância e da burrice.

Vida que segue ladeira abaixo, sem limites para o livre arbítrio de uma Justiça vingativa que não respeita a dignidade humana.