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Candidatura Marina já naufragou

Candidatura Marina já naufragou

Candidatura Marina já naufragou

De acordo com ex-colegas de partido, a pouca exposição na TV e o distanciamento da esquerda são fatores que comprometem a campanha de Marina Silva, da Rede.

Do Huffpost Brasil:


A ascensão de Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pela Rede Sustentabilidade, na última pesquisa realizada pelo Datafolha — a 1ª desde a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva — não é suficiente para empolgar ex-membros do partido.

O cientista político Marcio Sales Saraiva, professor na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), trocou recentemente de partido, deixando a base da Rede para se filiar ao PCdoB. Em conversa com a reportagem do HuffPost Brasil, ele fez algumas ponderações sobre quem, porventura, possa estar entusiasmado com o crescimento sua ex-correligionária.

No cenário sem Lula, que deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, Marina tem até 16% das intenções de voto e cola no líder da pesquisa, Jair Bolsonaro, com 17%. Em eventual 2º turno, ela vence de Bolsonaro por 44% a 31%.

“A posição da Marina hoje nas pesquisas é absolutamente compreensível. Ela está em sua terceira eleição para presidente e ocupa o lugar que sempre ocupou, pois tem vaga cativa com certa parte do eleitorado, algo entre 14% e 18%. Não vejo com espanto. Ela achou o lugar dela”, analisa Saraiva.

Ter ‘achado o lugar dela’, no entanto, não significa que Marina esteja forte na corrida para ocupar o lugar de Michel Temer após as eleições de 2018, alerta Saraiva.

“Acho muito difícil ela chegar à Presidência, pois há outras variáveis e outros cenários que podem se formar. A tendência é que o eleitorado dela migre para o chamado voto útil”, projeta.

Fundador e ex-integrante da Rede, o antropólogo Luiz Eduardo Soares faz análise similar à do colega. Caso seja barrada a candidatura de Lula, fruto da condenação, Soares duvida que os eleitores dele migrem para Marina:

“A Marina sempre foi uma player importante e teve 20 milhões de votos nos últimos pleitos, mas analisar esses números é muito difícil neste momento, pois a pesquisa está afetada por fatores diversos e a reação popular ainda está se formando. Qualquer análise feita agora pode criar grandes ilusões, mas é muito difícil ela herdar qualquer patrimônio eleitoral do lulismo”, diz ao HuffPost Brasil.

Soares acredita que não será Marina quem se beneficiará com os votos que seriam destinados ao principal ícone do Partido dos Trabalhadores.

O Lula está praticamente fora da disputa e, quando se pronunciar e indicar alguém, essa marca ficará colada a esse candidato. Não haverá sobra para outros herdeiros. Além disso, a Marina queimou as caravelas com a esquerda quando apoiou o impeachment da Dilma. Ela cortou laços importantes desse lado e não criou novos com os mais conservadores de centro ou de direita.”

Em outubro de 2016, 7 dirigentes da Rede deixaram o partido com uma carta de desfiliação recheada de críticas à líder, sobretudo sua posição a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

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