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Bolsonaro entre robôs e perfis falsos

Bolsonaro entre robôs e perfis falsos

Bolsonaro entre robôs e perfis falsos

O método: espalhar mensagens positivas no Twitter e se infiltrar em grupos de grande audiência no Facebook para difundir textos e imagens que sugerissem um movimento político espontâneo.

Da Veja:


Mal tinham sido anunciados os resultados das últimas eleições presidenciais, um homem de voz mansa procurou uma empresa de Vitória, no Espírito Santo, especializada em lustrar a imagem de políticos na internet. Era início de 2015. Falando em nome do deputado Jair Bolsonaro (PSL), de quem se dizia assessor, ele queria pôr em prática uma estratégia destinada a “posicionar” o parlamentar no mundo digital. A intenção era deixá-lo popular para alçar voos mais altos nas eleições seguintes. O método: espalhar mensagens positivas no Twitter e se infiltrar em grupos de grande audiência no Facebook para difundir textos e imagens que sugerissem um movimento político espontâneo. A empresa, já comprometida com outros candidatos, não aceitou. Mas a missão de “posicionar” o deputado nas redes foi cumprida: passados três anos, Bolsonaro é um gigante digital e líder na corrida presidencial.

Segundo o instituto Datafolha, o deputado está em segundo lugar nas pesquisas, com 15% das intenções de voto, atrás apenas do ex-presidente Lula (31%), que está preso, é ficha-suja e não poderá disputar as eleições. Nos cenários sem o petista, Bolsonaro lidera com 17%, em situação de empate técnico com a ex-ministra Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que tem 15%. Os números do parlamentar nas simulações de primeiro turno são praticamente os mesmos da sondagem anterior, realizada em janeiro. Ainda que na liderança das pesquisas, Bolsonaro recebeu outra notícia preocupante. Se for para o segundo turno, como os números indicam, o deputado patina feio. Seria derrotado por Marina, empataria com Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) e só conseguiria derrotar os nanicos petistas, Fernando Haddad e Jaques Wagner, que hoje não passam de 2% nos levantamentos sobre o primeiro turno. Diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino: “Bolsonaro vem desde janeiro se mantendo estável nesse patamar. Talvez tenha atingido um teto e precise ampliar mais o discurso e conquistar outros segmentos”. Correias de transmissão para o discurso, o deputado tem de sobra nas redes sociais. Uma pesquisa realizada a pedido de VEJA pela consultoria Exata Inteligência em Comunicação Digital mostra que, um ano antes da eleição, já havia um movimento planejado a favor de Bolsonaro no universo digital.

A tática é tão bem organizada que o pós-doutor em comunicação digital Sergio Denicoli, sócio da Exata e responsável pelo levantamento, enxerga sinais de interferência externa nessa mobilização, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos na campanha que elegeu Donald Trump. Lá, uma ampla investigação apura em que medida o serviço secreto russo operou para que Trump fosse eleito. Diz Denicoli, sobre o caso de Bolsonaro: “É um trabalho que parece ser milimetricamente pensado e que, até hoje, não foi utilizado no Brasil de forma tão enfática como ocorreu em alguns países. Por isso, é possível que haja interferência externa. É um formato diferenciado em relação ao marketing eleitoral brasileiro. É um trabalho hierárquico, sistematizado e, dentro do que propõe, muito eficiente”.

Ainda não se sabe se Bolsonaro está por trás da estratégia. Consultado por VEJA, ele nega qualquer ação nesse sentido. “Tudo nosso é espontâneo, mas há muitas pessoas que trabalham para mim, que confiam em mim. Não conheço 99% delas”, diz. Resta evidente, porém, que o deputado tem se beneficiado enormemente do engajamento desse exército de perfis fake e robôs. A pesquisa da Exata mostra que, entre os perfis mais ativos do Twitter cujas postagens se destinavam a influenciar o jogo político, surpreendentes 70% atuavam em favor da pré-candidatura de Bolsonaro. “Pode-se afirmar, categoricamente, que os movimentos pré-eleitorais têm sido deliberadamente influenciados por perfis on-line criados especificamente para interferir no jogo político”, concluíram os pesquisadores.

O levantamento encomendado por VEJA considerou postagens no Twitter feitas entre 7 de setembro e 7 de outubro de 2017 — o mês imediatamente anterior à data em que faltaria exatamente um ano para o primeiro turno das eleições. O trabalho se baseia na análise de big data, que coleta, filtra e qualifica a massa de informações que circula na internet. Pela metodologia, as informações sobre determinado tema são reunidas eletronicamente e, depois, organizadas de maneira a permitir o mapeamento de lógicas de comunicação que indicam opinião e tendências dos internautas. “Assim podemos encontrar padrões de comportamento do público e perceber o engajamento em torno de um objeto, seja candidato, partido, marca ou ideia”, diz Denicoli.


3 Comentários

  • Sou um robô que veio do futuro onde o Lula se elegeu graças à manipulação das urnas eletrônicas, e logo após assumir a presidência, tomou medidas que transformaram o Brasil em um regime comunista. A fome é a morte se espalhou, a imprensa foi cerciada, e a liberdade de expressão foi extinta e substituída pelo regime do “politicamente correto”.
    Não demorou muito para outros países da América Latina, por influência do Brasil, se tornarem em ditaduras sanguinárias.
    Por isso, eu fui desenvolvido pelo remanescente conversador que conseguiu sobreviver, e fui enviado com outros milhões de eleitores Robôs de última geração para não permitir que socialista nenhum chegue ao poder no Brasil. Só mesmo Bolsonaro para poder mudar o triste rumo da história brasileira!
    #somostodosrobos
    #Bolsonaro2018
    #fakenews #globolixo #grandemidialixo

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