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Racismo na FGV-SP: “Achei esse escravo aqui no fumódromo”

Racismo na FGV-SP: “Achei esse escravo aqui no fumódromo”

Racismo na FGV-SP: “Achei esse escravo aqui no fumódromo”

Estudante da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, utilizou a imagem de outro estudante da mesma instituição para praticar um ato racista: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”.

Um estudante da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, registrou uma foto de outro aluno da mesma instituição e compartilhou num grupo no WhatsApp com a seguinte legenda: “Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”.

O estudante que postou a foto foi afastado da universidade por três meses.

João Gilberto Lima, estudante ofendido, publicou nas redes sociais que foi chamado à coordenação para ser informado de que uma foto sua tinha sido usada “de forma indevida e preconceituosa”.

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O estudante escreveu que o agressor “optou pela atitude covarde de tirar uma foto e jogar no grupo dos amiguinhos”. O texto continua. “Saiba que muito antes de você pensar em prestar FGV eu já caminhava por esses corredores. Se você me conhecesse, não teria se atrevido”. Lima é categórico: “o que você fez, além de imoral, é crime!”

O Coletivo Negro 20 de Novembro da FGV publicou uma nota de repúdio à atitude racista do estudante.


NOTA DE REPÚDIO AO RACISMO VELADO NA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

08 de Março de 2018

Coletivo Negro 20 de Novembro

Nós, membros e membras do coletivo negro 20 de novembro, gostaríamos de expressar nosso repúdio contra o fato ocorrido em detrimento de mais um aluno negro da Fundação Getúlio Vargas. Como membros de um grupo que visa a articulação de uma minoria ascendente dentro do ambiente gvniano gostaríamos de expor que condutas RACISTAS não passarão em branco pelos olhos e bocas de quem sabe o que é sofrer preconceito na pele.

A denúncia, feita na terça-feira (06/03), chegou ao conhecimento de todos nessa quinta-feira (08/03) via redes sociais. E os fatos, deixam claro (muito claro) o teor extremamente preconceituoso do discurso proferido.

Como coletivo, como negros e como pessoas tentamos todos os dias afirmar nosso lugar dentro de uma fundação majoritariamente branca. Até porque não deveríamos nos sentir segregados, separados ou humilhados, como bem diz a Constituição Federal em seu artigo 5: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”

Vivemos num país livre. Infelizmente essa liberdade muitas vezes é tão somente formal. As desigualdades de renda, classe, gênero e de cor nas terras de Machado de Assis, Dandara, Luís Gama, Carolina de Jesus, Joaquim Barbosa e Thais Araújo, nos dizem que indivíduos ainda são cerceados de ser quem realmente são. Negros e negras são minoria nas prestigiadas instituições de ensino superior. Homens negros são a maior parte da população carcerária do país. Mulheres negras sofrem duas vezes mais com o feminicídio do que mulheres brancas. Crianças negras são a grande maioria do corpo discente do péssimo ensino público. LGBTSs negros fazem parte de uma das populações mais vulneráveis para o desenvolvimento de doenças mentais. Sendo assim, o coletivo 20 de novembro se levanta e diz: Basta!

Basta aos comentários nojentos. Basta aos olhares de desprezo e estranheza. Basta aos termos pejorativos. Basta a hipersexualização da mulher negra. Basta a exclusão e segregação de LGBTs de cor. Basta aos pensamentos de ódio. Basta ao racismo velado presente nos discursos dos tão renomados docentes da nossa Fundação. Basta de confundir alunos e alunas negras com funcionários e funcionárias da escola. Basta à invisibilidade das faxineiras, funcionários, bedéis, terceirizados negros. Basta ao número repugnante de discentes na EAESP, EDESP E EESP. Pior ainda, basta ao número repugnante de docentes em toda a FGV-SP. Basta!

Dessa forma, olhamos para nós mesmos e nossos similares e dizemos que esse lugar também é nosso. E são atitudes como essas que tentam tirar os negros e negras da Getúlio Vargas.

Essa nota, além de uma pequena demonstração de que tais atos são inaceitáveis em uma sociedade democrática, foi escrita para dizer que iremos continuar de pé. Vamos continuar incomodando. Vamos continuar no fumódromo, no Diretório Acadêmico e seja lá onde quisermos estar. Soltos, livres e, se alguém perguntar, sem donos.


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