Blog do Mailson Ramos

A presidente do Supremo se reúne com investigado

A presidente do Supremo se reúne com investigado

A presidente do Supremo se reúne com investigado

Isso nos mostra como a democracia está depauperada, consumida por atitudes de um judiciário que não aceita críticas, mas que é, ao mesmo tempo, parcial. O Brasil é um país cuja justiça jaz adoecida.

Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu as portas da sua casa para receber o ilegítimo presidente da República, Michel Temer, denunciado duas vezes pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva e investigado neste momento por ter beneficiado empresas que atuam no Porto de Santos através de Medida Provisória.

No Brasil do golpe estes encontros são normais. São naturais. É a fisiologia de um processo que corrói a democracia e está em concordância com os tempos nefastos vividos pelo país. Não é a primeira vez que Michel Temer se reúne fora da agenda com uma autoridade do judiciário.

O presidente postiço já se reuniu com Raquel Dodge e outras tantas vezes com Gilmar Mendes, ministro do Supremo. Estas relações promíscuas mostram que, fora do discurso, os membros do judiciário não se respeitam. Estão sempre reunidos com políticos governistas envolvidos em investigações. Há um mês, Cármen Lúcia cobrou respeito às decisões do judiciário e disse que “é inadmissível e inaceitável desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la. Justiça individual, fora do direito, não é justiça senão vingança ou ato de força pessoal”.

Ela também mandou o PT baixar o tom nas críticas às instituições. É muito cômodo para a ministra Cármen Lúcia criticar o PT e ao mesmo tempo se reunir com um sujeito que está sendo investigado, ainda que ocupe a presidência da República.

Isso nos mostra como a democracia está depauperada, consumida por atitudes de um judiciário que não aceita críticas, mas que é, ao mesmo tempo, parcial. O Brasil é um país cuja justiça jaz adoecida.

Disse Rui Barbosa: “A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda.” Convém dizer que o judiciário brasileiro tem lado e é o da classe dominante, como diz o juiz Marcelo Tadeu, da 12ª Vara Criminal de Maceió

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