Blog do Mailson Ramos

Você sabe o que é meritocracia? O PTB vai te mostrar

Você sabe o que é meritocracia? O PTB vai te mostrar

Você sabe o que é meritocracia? O PTB vai te mostrar

Os golpistas tomaram o poder com críticas ferrenhas aos apadrinhamentos, cabides de emprego, nomeações políticas. Desde 12 de maio de 2016 não se faz outra coisa em Brasília senão conceder cargos a aliados políticos.

O Brasil tem milhões de jovens desempregados; boa parte deles saiu da faculdade em meio à crise e não conseguiu entrar no mercado de trabalho. Alguns se aventuram em outras áreas para sobreviver. Outros tentam se agarrar a qualquer chance para manter os sonhos de um dia alcançar bons empregos e estabelecer uma bela carreira profissional.

Esta é a realidade dos jovens brasileiros que velejam em mares bravios sem o auxílio de indicações, influências e da meritocracia, prática que fez o PTB, partido que detém o Ministério do Trabalho, nomear um jovem de 19 anos para fazer pagamento a fornecedores da pasta no valor de R$ 473 milhões.

Mikael Tavares Medeiros, de acordo com O Globo, um dia desses fazia troça nas redes sociais por ter ficado para recuperação no último ano do Ensino Médio. Foi nomeado coordenador de documentação e informação pelo então ministro Ronaldo Nogueira, do PTB. Um cargo tão burocrático como o nome sugere. Mas que não paga tão mal: R$ 5,1 mil brutos, por mês.

O pai do garoto, Cristiomario de Sousa Medeiros, é delegado da Polícia Civil de Goiás e preside o PTB numa cidade próxima a Brasília, além de ser aliado de Jovair Arantes, um dos caciques do partido. O delegado Cristiomario garante que não sabe qual é a função exercida pelo filho no ministério. E que não o tinha indicado, embora não visse nenhuma irregularidade nisso.

O fato é que estamos falando do PTB de Roberto Jeferson, que indicou a própria filha Cristiane Brasil para assumir o Ministério do Trabalho, este onde o jovem Mikael desempenha função desconhecida pelo próprio pai, de acordo com matéria de O Globo.

Estas indicações e nomeações revelam o caráter nocivo da meritocracia. Você não vai assumir um cargo no ministério por ser preparado, inteligente ou, sobretudo independente. Está lá porque pertence a um círculo de influências, cuja única asserção é a mútua troca de favores: eu te conheço, somos correligionários e você deve dar um emprego ao meu filho.

Os golpistas tomaram o poder com críticas ferrenhas aos apadrinhamentos, cabides de emprego, nomeações políticas. Desde 12 de maio de 2016, este governo não se faz outra coisa senão conceder cargos a aliados políticos. Primeiro para aprovar as reformas e desgraçar a vida do povo brasileiro; depois para salvar Michel Temer, o chefe da quadrilha, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público.

Como Mikael, milhares de jovens “bem nascidos” ou com bom trânsito entre os poderosos ocupam cargos que deveriam ser de pessoas preparadas – ou que não estivessem ali por simples influência de alguém que manda. O Brasil das oportunidades continua oferecendo oportunidades aos privilegiados e só. Por isso juízes continuam brigando por auxílios e penduricalhos, por isso criticam programas sociais, como o Bolsa Família. Não é um país para amadores. E nem para pobres.

4 Comentários

  • A reportagem parte de uma premissa verdadeira: O governo Temer virou um verdadeiro balcão de negociatas e de deslavado fisiologismo, mas isso não justifica taxá-lo de golpista, porque o governo Dilma, não só se superou nessas mesmas práticas abomináveis, como foi dos mais corruptos até então. Por isso o termo golpe não se justifica, o que vemos é uma guerra de quadrilhas pelo poder.

    • Caro Marcelo, o governo de Michel Temer mantém algumas práticas que não só pertenceram ao governo Dilma, mas datam do estabelecimento da ideia de governo de coalizão. Uma ideia desgastada. O termo golpe de 2016 é cada vez mais difundido, inclusive em espaço acadêmico. Porque o governo não caiu no colo de Temer. Ele conspirou, traçou estratégias, se aliou com Aécio Neves (derrotado de 2014), corroeu a base governista no Congresso, usou a sua influência com Eduardo Cunha para autorizar um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, prometeu céus e terras aos empresários, levou aos brasileiros embevecidos a certeza de que, com a saída de Dilma, recuperaria o país. Michel Temer não foi chamado pelo povo, por ele não foi eleito para governar. E ao assumir o poder, o que ele faz? Destrói tudo aquilo que era programa de governo da sua chapa (vencedora em 2014) e impõe o programa neoliberalista do PSDB. Quer mais golpe do que isso?

    • Eu gostaria de acreditar que o voto será a saída, 60% da população não sabe votar, não sabe o que é melhor para a nação e ainda tem o problema que nenhum candidato é o ideal, votar em quem?

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