Blog do Mailson Ramos

A execução de Marielle e o Brasil conservador

A execução de Marielle e o Brasil conservador

A execução de Marielle e o Brasil conservador

Em qualquer país minimamente civilizado e que respeitasse os Direitos Humanos, a execução de Marielle Franco deveria ser o ponto inicial para uma mobilização contra a corrupção que infesta as forças de segurança dos estados, as milícias, a intrínseca relação entre política e  crime organizado.

Marielle foi mais uma voz negra a ser calada. Para os oportunistas de plantão, ela foi “vítima daquilo que pregou”, ou seja, os direitos humanos. Eles acreditam na possibilidade de que foi um assalto. O pensamento rasteiro da direita é uma coisa descomunal. Para permanecer vagando no limbo da polarização política sem se aprofundar nos fatos, deixam de perceber que Marielle, em sua coragem e intrepidez, desafiou um poder de fogo.

É preciso ter um mínimo de inteligência para entender que a morte da vereadora tem um conteúdo misógino, fascista, racista, mas , sobretudo conservador. A figura de Marielle, mulher, negra, favelada e que levanta a voz contra um sistema putrefato que opera na sociedade, representa muito mais do que um desafio. Ela é uma afronta. Como Margarida Alves. Como Maria da Penha.

Quantas mulheres não encontram o seu final nas mãos de um marido que não suportou ouvir verdades sobre a relação? Quantas mulheres são mortas no Brasil por tentarem ser livres e encontrarem no discurso da liberdade um ideal coletivo? Quantas mulheres negras jazem espalhadas nas calçadas das periferias estupradas porque disseram não? Quantas mães são executadas diante dos seus filhos por reagir a um conservadorismo entranhado no contrassenso machista?

É muito cômodo dizer que ela apanhou do marido porque deu motivos; que levou uma surra porque quis se “livrar do cara”; que morreu pelas mãos de quem sempre defendeu. Essas são as asserções de quem tem mente rasteira e pensa viver num mundo gerenciado pela violência como forma de “educar”. Marielle foi assassinada numa cidade ocupada pelo Exército, numa empreitada fracassada de um governo também fracassado. Não são sombras no nosso pensamento. São mais fatos que nos ajudam a pensar que o problema da segurança pública não será resolvido com intervenções militares.

E como disse no início, se o Brasil fosse um país sério, a discussão sobre este crime seria pelo menos profunda. Para deixar marcas. Que seja feita justiça!

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