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Setores do PSDB rejeitam candidatura de Doria ao governo de SP

Setores do PSDB rejeitam candidatura de Doria ao governo de SP
Setores do PSDB rejeitam candidatura de Doria ao governo de SP
Como bem definiu Alberto Goldman, a cidade de São Paulo não elegeu um prefeito, mas sim um personagem disposto a fazer da prefeitura um trampolim para a presidência da República.

Deu no Brasil 247:


O prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, terá que se contentar em ser prefeito de São Paulo, embora dê demonstrações constantes de aversão ao cargo para o qual foi eleito. Como bem definiu Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, a cidade de São Paulo não elegeu um prefeito, mas sim um personagem disposto a fazer da prefeitura um trampolim para a presidência da República. Como Doria, mesmo tendo traído seu padrinho Geraldo Alckmin, afundou na farinata e não conseguiu se viabilizar candidato ao Palácio do Planalto, ele passou a alimentar uma segunda pretensão: a de ser governador de São Paulo.

Este segundo projeto, no entanto, também deve naufragar, uma vez que sua candidatura enfrenta resistência em todos os setores do PSDB. De um lado, o governador Geraldo Alckmin defende uma aliança em torno do vice Márcio França, do PSB, para fortalecer sua candidatura presidencial. Como todos sabem, Alckmin pretende convencer o PSDB a abrir mão de uma candidatura própria para que o PSB se alie nacionalmente a ele. De outro, o senador José Aníbal (PSDB-SP), que também é pré-candidato ao governo paulista, tem o apoio dos serristas e defende prévias apenas em maio – o que obrigaria Doria a disputá-las fora do cargo. Isso porque, de acordo com a lei eleitoral, Doria teria que renunciar ao cargo em abril, quando ocorre a desincompatibilização dos cargos.

O fato mais importante para frear o ímpeto de Doria é o próprio desempenho eleitoral do prefeito. Como ele ainda não deixou nenhuma marca positiva na cidade de São Paulo, sua aprovação caiu e isso se reflete também nas pesquisas. As primeiras sondagens para o governo paulista revelam que ele perderia para Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que concorrerá ao cargo pelo MDB, o que inviabiliza qualquer aliança entre os dois. Na semana passada, Doria, como sempre falante, disse que Skaf poderia ser seu candidato ao Senado, numa composição entre as forças de centro-direita, mas os números não avalizam a marola criada por Doria.

No PSDB, há até quem defenda que Doria seja candidato, mas com prévias em maio, numa escolha restrita à cúpula do partido. Desta forma, Doria não teria como comprar apoio de militantes e perderia a disputa depois de renunciar ao cargo na prefeitura. Assim, a cidade de São Paulo seria administrada por Bruno Covas, um tucano autêntico, e Doria, que consolidou uma imagem de aventureiro e traidor, seria atirado ao mar. Ciente dos riscos, a tendência é de que o próprio Doria se convença de que o único caminho que lhe resta é permanecer no cargo para o qual foi eleito e tentar ser prefeito nos quase três anos que lhe restam.


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