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Se prenderem Lula a reação popular será imprevisível, diz Pimenta

Se prenderem Lula a reação popular será imprevisível, diz Pimenta

Se prenderem Lula a reação popular será imprevisível, diz Pimenta

Ao jornal argentino Contexto, o deputado Paulo Pimenta, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, afirmou que a reação popular será imprevisível se prenderem o ex-presidente Lula.

Nossa Política traduz e reproduz do jornal argentino Contexto uma entrevista com o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara:


– Quais foram as irregularidades ocorridas no processo judicial contra o ex-presidente Lula?

– As irregularidades são tantas e tão graves que fazem o livro The Process, de Kafka, parecer literatura infantil. As acusações são baseadas em fatos que não ocorreram, como a recepção de um apartamento triplex. Eles são baseados apenas em suposições. Os promotores fizeram um programa de mídia para dizer que Lula era o chefe de uma organização criminosa, mas a queixa formal nem inclui o crime de criar esse suposto grupo, o que deveria acontecer se na verdade houvesse uma organização criminosa. Além disso, o juiz do julgamento, que deveria ser um mediador e agir de forma imparcial, trabalhou em conjunto com os promotores, o que viola os princípios básicos da lei e todos os códigos legais vigentes no Brasil. A outra irregularidade grave foi a redução da defesa do presidente Lula, que não teve acesso a inúmeros documentos usados ​​pelos procuradores na acusação. Eles vetaram o direito de ouvir várias testemunhas, como o advogado Rodrigo Tacla Durán, que apresentou evidências concretas de um esquema para negociar as sentenças em troca de acusações acordadas para corroborar as acusações, o que é muito sério, porque as pessoas muito próximas estão envolvidas O juiz Sérgio Moro – como seu padrinho de casamento, Carlos Zucolotto – e procuradores, incluindo um chamado “DD”, um acrônimo que coincidentemente traz as iniciais de Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa de Lava Jato no Ministério Público Em suma, o conjunto de irregularidades é enorme e não é por acaso que já foram publicados vários livros que apontam para as violações graves que demonstram a perseguição legal, a lei contra o presidente Lula.

– Você ressaltou que o golpe teve três objetivos. Quais?

– Em primeiro lugar, reserve a presidente Dilma Rousseff. Com isso, eles poderiam implementar o programa ultra-neoliberal que é praticamente um espelho do que Macri aplica na Argentina: destruição da legislação preventiva e trabalhista, venda de riqueza natural a um preço da banana (especialmente o pré-sal) e ativos públicos que são empresas estatais como Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, ataques a sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos da oposição, entre muitas outras medidas. Finalmente, o objetivo final do golpe é impedir a candidatura de Lula e, assim, impedir o retorno do campo popular e progressivo ao poder. Excluir Lula do processo eleitoral é a cereja do bolo de golpe.

– Como o povo pode enfrentar um judiciário que parece determinado a impedir que Lula participe das eleições?

– O golpe tem diferentes faces: midiático, jurídico, parlamentar e partidário. Qualquer reação efetiva contra o golpe envolve necessariamente a unidade da esquerda e a ampla mobilização popular. Ganhamos a batalha da narrativa: todo o Brasil e o mundo inteiro sabem que em 2016 ocorreu um golpe de Estado no Brasil. Hoje, a base do governo no Congresso é frágil e envergonhada. Importamos várias derrotas. Nós impedimos o voto sobre a reforma das pensões. O desafio agora é remover os conspiradores golpistas do poder e desfazer todos os males que eles fizeram nesses dois anos. A candidatura de Lula é essencial para isso porque unifica as forças progressistas e porque renova a esperança das pessoas.

– A decisão de Temer de intervir militarmente no Rio tem a ver com a possível reação das pessoas das favelas se Lula está preso?

– Sem dúvida. Esta é, acima de tudo, uma medida eleitoral, marqueteira, mas também é uma espécie de mensagem, como se nos dissessem que eles estão dispostos a usar as Forças Armadas, como fizeram no passado, para se perpetuar no poder. Mas vamos derrotá-los de qualquer maneira. Este golpe tem os dias contados. Em 1º de janeiro de 2019, Lula assumirá novamente a presidência do Brasil.

– Qual será a posição do PT se essa injustiça se concretizar?

– Se eles se atrevem a prender o presidente Lula, a reação popular será imprevisível e algo muito além do PT e de qualquer organização política no Brasil. Acima de tudo, Lula representa os pobres do Brasil que, pela primeira vez em quinhentos anos de história, foram tratados com respeito e dignidade que merecem, foi elevado ao status de protagonista ativo da história e não apenas a uma testemunha passiva. Ninguém pode prever o que vai acontecer. O que é certo é que o PT fará tudo para evitar que isso aconteça, porque a maior violência legal e política na história do Brasil seria consumada.

– Considera que a tentativa de proibir Lula está relacionada com a tentativa de proibição de outros líderes latino-americanos como Cristina Fernández de Kirchner na Argentina e Rafael Correa no Equador?

– Claro. O direito latino-americano foi varrido do poder político em muitos países e, desde 2012, eles recorreram a uma estratégia denunciada em torno do que agora é conhecido como Plano Atlanta. Esta estratégia foi concebida no submundo da CIA e do Departamento de Estado dos Estados Unidos e inclui propaganda midiática negativa contra líderes, partidos e movimentos da esquerda e o uso de setores do Poder Judiciário em ações de lei, bem como como ações violentas e terroristas, como vemos na Venezuela. Nada acontece por acaso na política latino-americana, especialmente no que diz respeito ao desempenho das elites econômicas.


1 Comentário

  • Como oPSDB nunca fez nada pelo Nordeste do Brasil o unico meio de chegar ao poder é pelo golpe como fizeram com Dilma e agora querem Impedir a candidatura de Lula tendo para isso o apoio da justiça .Pois em nenhum Pais do Mundo a justiça pode tomar partido ela tem que ser imparcial para poder julgar.

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