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Interventor do Rio bloqueia investigação sobre chacina, diz ONG

Interventor do Rio bloqueia investigação sobre chacina, diz ONG

Interventor do Rio bloqueia investigação sobre chacina, diz ONG

De acordo com a ONG Human Rights Watch, o general Walter Souza Braga Netto, está bloqueando as investigações a respeito de uma chacina ocorrida no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Deu na CartaCapital:


O general Walter Souza Braga Netto, nomeado interventor na área de segurança no Rio de Janeiro, está bloqueando as investigações a respeito de uma chacina ocorrida em novembro no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. A acusação é da ONG Human Rights Watch, dedicada a questões de direitos humanos.

Em um comunicado enviado à imprensa nesta sexta-feira 23, a ONG afirmou que o Comando Militar do Leste, chefiado por Braga Netto, não está disponibilizando seus soldados para prestarem depoimento ao Ministério Público do estado do Rio de Janeiro na investigação sobre a chacina ocorrida em 11 de novembro de 2017. Na ocasião, sete pessoas foram mortas em uma operação conjunta do Exército com a Polícia Civil. Posteriormente, uma oitava pessoa morreu por conta dos ferimentos.

Todos os mortos na chacina foram alvos de disparos pelas costas. De acordo com reportagem publicada em janeiro pelo jornal Extra, há indícios de execução nos corpos de pelo menos três das vítimas.

De acordo com a Human Rights Watch, em 28 de novembro, promotores públicos do estado compareceram a uma reunião sobre o caso com o general Walter Braga Netto.

Um servidor público que acompanhou o encontro disse à ONG que, imediatamente após o encontro, os promotores requisitaram uma cópia das declarações feitas pelos soldados que participaram da operação ao Exército e pediram para entrevistá-los. Os assessores de Braga Netto concordaram com o pedido, mas até agora não encaminharam os documentos e nem disponibilizaram os soldados para as entrevistas. Os homens da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da polícia, por sua vez, já prestaram depoimento.

“A obstrução das investigações por parte do General Braga Netto mostra a falta de comprometimento real em garantir justiça às vítimas nesse caso e mostra um flagrante desrespeito às autoridades civis”, disse Maria Laura Canineu, diretora do escritório do Brasil da Human Rights Watch. “Isso é um péssimo sinal para os cidadãos do Rio de Janeiro, considerando seu novo posto como chefe da segurança pública do estado”.

Em outubro, após muita pressão dos chefes militares, o Congresso aprovou e o presidente Michel Temer sancionou uma lei que transfere para a Justiça Militar o julgamento de crimes contra civis cometidos por militares durante operações de segurança pública.

CartaCapital procurou o Comando Militar do Leste e aguarda resposta sobre o caso.


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