Blog do Mailson Ramos

Intervenção militar no Rio é a cara do golpe

Intervenção militar no Rio é a cara do golpe

Intervenção militar no Rio é a cara do golpe – Foto: Beto Barata/PR

A intervenção militar no Rio de Janeiro é ato pensado de um governo que se movimenta nas sombras para sufocar o clamor popular contra o golpe. É a quintessência da inépcia, um colosso de desazo.

O governo de Michel Temer não tem agenda. A reforma da Previdência foi para o saco. Na impossibilidade aprovar na Câmara o fim da aposentadoria, Temer virou as baterias para o Rio de Janeiro.

Com isso conseguiu chamar a atenção da mídia – que já noticiava com exaustão “o caos no Rio” durante o carnaval – para debater um assunto importante como a segurança pública. Porém, o movimento de Temer foi um desastre.

A imprensa internacional (que o Noblat criticou. Sim, o Noblat) fez claras referências ao golpe de 1964, quando os militares invadiram Brasília e tomaram o poder na marra. Com a nomeação do general Walter Souza Braga Netto como interventor, o secretário de segurança pública, Roberto Sá, nomeado por Pezão, foi exonerado.

Isso significa que Temer vai mandar no Rio de Janeiro através do interventor.

Nas últimas semanas, os noticiários da grande mídia intensificaram as matérias sobre a segurança pública no Rio. “Muita mídia”, foi a resposta do general Braga Netto, fazendo sinal negativo com o dedo indicador, ao ser questionado sobre a situação crítica do Rio de Janeiro.

Isso só confirma que o conglomerado do golpe tem outras motivações (que não são a preocupação e o zelo com o povo do Rio) ao autorizar a intervenção militar.

A verdade é que, ao colocar os militares nos morros, ao dar poder de polícia a quem está preparado para combater em guerra, este governo carregará nas costas a morte de gente inocente.

Mas isso não aconteceu antes? Sim. Entretanto, o caráter desta intervenção é político. Tem fins partidários e possivelmente ligados às eleições de outubro. Ela também influencia a votação da reforma da Previdência.

Michel Temer não se movimenta sem ser nas sombras. Ele dissimula. Conspira. Mente. Tem o poder nas mãos que não lhe foi confiado pelo povo, portanto, não deve satisfações. Vive enclausurado nos palácios de Brasília, onde tenta em vão se isolar das reações negativas ao seu governo.

E muitos daqueles que diziam ‘primeiro a gente tira a Dilma’, hoje não sabem como conviver com a ideia de um presidente que fala em combate ao crime organizado tendo sido taxado pela Polícia Federal e Ministério Público como chefe de quadrilha.

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