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Por onde andam os delatores que ferraram o PT?

Por onde andam os delatores que ferraram o PT?

Por onde andam os delatores que ferraram o PT?

Para expor o nível de parcialidade da Lava Jato (que jamais prendeu um tucano) basta fazer uma simples pergunta: por onde andam os delatores que ferraram o PT?

Nossa Política reproduz do Conversa Afiada a vida mansa de quem delatou o PT:


ALBERTO YOUSSEF

TERMOS DA DELAÇÃO: O doleiro Alberto Youssef afirmou, em delação à Justiça Federal, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema que desviou dinheiro da Petrobras.

Os depoimentos de Youssef foram concedidos entre 2 de outubro e 24 de novembro de 2014. No primeiro deles, o doleiro afirmou que o pagamento de comissões e a organização de um cartel para desviar dinheiro em obras da Petrobras teve início a partir de um acordo com José Janene, deputado federal do PP morto em 2010, e Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da estatal.

Youssef disse que conheceu Janene, em 1997, e quatro anos depois o político do PP pediu US$ 12 milhões para campanhas políticas que foram providenciados a partir de operações de câmbio feitas pelo doleiro. Antes de ser preso pela operação da Polícia Federal que investigou desvio de dinheiro no Banestado, em 2003, Youssef fez a mando de Janene um repasse de US$ 300 mil a Costa que, na época era dirigente na empresa TGB Gasoduto. Em 2005, quando o doleiro foi solto, Costa já havia assumido a Diretoria de Abastecimento da estatal por influência política de Janene, que ameaçou Lula a retirar o apoio do PP ao governo se não fosse atendido.

Youssef disse que se reunia de duas a três vezes por semana com Costa, Janene e diretores de empresas que faziam contratos com a Petrobras. O objetivo dos encontros, que ocorreram em hotéis e na casa de Janene, seria o de organizar um cartel nas licitações da estatal. Segundo o depoimento do doleiro, os diretores, os donos e os acionistas majoritários das empresas tinham conhecimento do esquema.

A seleção das empresas a serem convidadas para participar dos certames era feita pela Diretoria de Duque. Youssef disse que Duque recebeu ordens de João Vaccari, tesoureiro do PT, “sendo que pagamentos de comissões de empreiteiras teriam se dado através de doações oficiais ao PT”. O doleiro afirmou que os pagamentos ocorriam em espécie, com a emissão de notas fiscais para serviços fictícios e através de depósitos no exterior. Ele ressaltou que “o governo federal (PT) tinha conhecimento desse esquema de comissões de contrato da Petrobras para o financiamento político”. (Fonte: G1)

CONDENAÇÃO: Foi condenado a mais de 121 anos de prisão em diversos processos, mas conseguiu acordar uma cláusula que prevê, no máximo, o cumprimento de três anos em regime fechado. Depois de dois anos e oito meses, hoje ele cumpre regime fechado domiciliar em um apartamento próximo ao parque do Ibirapuera, uma das regiões mais caras da cidade de São Paulo. (Fonte: El País)

DEVOLUÇÃO: O doleiro Alberto Youssef se comprometeu a devolver à União pelo menos R$ 1,8 milhão em espécie, hotéis e imóveis registrados em seu nome, além de todo o dinheiro encontrado em contas pessoais e de suas empresas, segundo o acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público Federal e homologado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki. (Fonte: Folha)

COMO VIVE HOJE: Atualmente mora em um edifício de luxo localizado a cinco quadras do parque do Ibirapuera, em um dos metros quadrados mais caros da capital paulista – com varanda gourmet e equipes de segurança da empresa Haganá rondando o quarteirão. No dia em que a reportagem visitou o local, o doleiro estava se exercitando na academia do prédio, de acordo com funcionários do condomínio. (El País)

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PAULO ROBERTO COSTA

CONDENAÇÃO: Dono, junto a seus familiares, de 12 empresas offshores abertas para movimentar milhões de dólares, foi condenado por Sérgio Moro em sete ações penais a um total de 128 anos de prisão. Desde o final de 2016 ele já cumpre pena em regime aberto sem tornozeleira eletrônica. Ele deixou o regime fechado um dia após seu acordo de delação premiada ter sido homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki. No total ficou cinco meses atrás das grades. (El País)

DEVOLUÇÃO: Paulo Roberto Costa devolveu R$ 70 milhões à Petrobras

COMO VIVE HOJE: Longe da superlotação e do desconforto, uma casa de quatro quartos, pintada em tom sóbrio, entre o vermelho e o marrom, é o cárcere de um ex-executivo daquela que já foi a maior empresa brasileira em valor de mercado. Ali perto, dentro do mesmo condomínio reservado em Itaipava, na Região Serrana do Rio, quadras de tênis, baias para cavalos, um clube, dois restaurantes — um exclusivo para proprietários e seus convidados — e seguranças circulando vinte quatro horas compõem a infraestrutura, considerada a melhor entre os empreendimentos da área. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e primeiro delator da Operação Lava-Jato, não é visto com a frequência de antes, mas pode circular de segunda a sexta, entre 6h e 20h — o regime semiaberto exige recolhimento nos fins de semana. Na vizinhança — 180 casas ocupam os 3,5 milhões de metros quadrados da área total —, um imóvel com mil metros quadrados de área construída está à venda por R$ 14 milhões. Outras propriedades disponíveis para compra oscilam entre R$ 2,5 milhões e R$ 7,5 milhões — nenhuma casa pode ser inferior a 200 metros quadrados, por determinação da convenção. (O Globo)

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NESTOR CERVERÓ

A DELAÇÃO: Em sua delação premiada, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró apontou o pagamento de pelo menos R$ 564,1 milhões em propina em negócios da estatal e da BR Distribuidora, uma de suas subsidiárias. Cerveró também delatou nominalmente 11 políticos como beneficiários do esquema de corrupção

Cerveró disse que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, rendeu US$ 15 milhões (R$ 53,1 milhões) em propina para o ex-senador Delcídio Amaral, Fernando Baiano e o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, entre outros. Outros R$ 4 milhões foram pagos a Delcídio em razão da reforma da refinaria. Em 2014, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que Pasadena causou um prejuízo de US$ 792,3 milhões (R$ 2,8 bilhões) à Petrobras.

Também afirmou que a compra de blocos de petróleo em Angola gerou propinas de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões para a campanha presidencial do PT de 2006, quando Lula era candidato à reeleição. (O Globo)

CONDENAÇÃO: Pena original: 17 anos, 3 meses e 10 dias / Após a delação: 3 anos (divididos entre prisão domiciliar e regime fechado)

DEVOLUÇÃO: O acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró com o Ministério Público Federal prevê que ele devolva cerca de R$ 17 milhões aos cofres públicos.

COMO VIVE HOJE: O distrito de Petrópolis também foi escolhido por Nestor Cerveró. Cumpre prisão domiciliar em um condomínio também isolado, menos luxuoso que o de Paulo Roberto. Um campo de futebol, nove casas — o caseiro ocupa uma delas — e um lote vazio compõem o cenário. Os terrenos têm por volta de dois mil metros quadrados, e o tamanho dos imóveis gira em torno de 200 metros quadrados. (O Globo)

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SERGIO MACHADO

TERMOS DA DELAÇÃO:  Machado, em sua delação, diz ter desviado R$100 milhões para mais de vinte políticos de diversos partidos e envolve Temer diretamente. É o responsável pelas gravações secretas, inclusive a famosa “estancar a sangria” do Jucá. (DCM)

CONDENAÇÃO: O ex-presidente da Transpetro foi condenado a 3 anos, mas por suas delações – nas quais entregou todo mundo e mais alguém – não irá cumprir um dia sequer atrás das grades. A pena será cumprida em sua mansão na Praia do Futuro, no Ceará, e ele terá que se contentar com piscina, quadra esportiva, churrasco, cerveja e demais sacrifícios. Dos 3 anos da pena sentenciada, terá que cumprir 2 anos e 3 meses naquela masmorra e depois poderá sair de casa pois a progressão prevê o semiaberto nos nove meses finais.

DEVOLUÇÃO: Machado se comprometeu a devolver R$ 75 milhões dos quais, segundo ele tem dito a pessoas próximas, ainda faltam R$ 20 milhões.

COMO VIVE HOJE: O ex-senador e ex-presidente da Transpetro vive a maior parte do tempo “em casa com piscina, quadra, extensos jardins no alto de uma colina com vista para o mar azul da Praia do Futuro”, em Fortaleza, segundo o Estadão. A casa ocupa meio quarteirão num dos bairros mais caros da capital cearense – o mesmo bairro onde mora Tasso Jereissati. Possui “ao menos oito seguranças fortemente armados e equipados com coletes à prova de balas” e uma equipe de guarda-casotas.

Também de acordo com o Estadão: “os quatro filhos de Machado se mudaram para o exterior. Dois moram em Nova York, um em Londres” e outro, “que rompeu com o pai depois do escândalo, estaria morando no megacondomínio Saint Regis, em Miami, onde o ex-jogador Ronaldo Fenômeno e o apresentador Fausto Silva têm apartamentos.”

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JULIO CAMARGO

A DELAÇÃO: Em outubro de 2014, o consultor da Toyo Setal Julio Camargo e o executivo Augusto Mendonça Neto assinaram a delação premiada, e os depoimentos foram liberados em 3 de dezembro de 2014. Julio Camargo e Augusto Mendonça Neto afirmaram ter pago mais de 150 milhões de reais em propina.

Camargo afirmou ter pago 40 milhões de dólares ao lobista Fernando Baiano para garantir que uma empresa sul-coreana fornecesse à Petrobras sondas de perfuração para serem usadas na África e no Golfo do México. Mendonça Neto relatou aos investigadores que, no período de 2008 e 2011, pagou entre 50 e 60 milhões de reais em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

Os valores teriam sido pagos em espécie no Brasil e por meio de contas bancárias na Suíça e no Uruguai. O delator disse ao Ministério Público que Renato Duque exigia que se lhe pagasse o suborno do “clube”. (Estadão)

CONDENAÇÃO: Original: 26 anos / Depois da delação: Não foi preso e passará 5 anos em regime aberto

DEVOLUÇÃO: R$ 16,3 milhões à Petrobras

COMO VIVE HOJE: O empresário Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava-Jato, reapareceu livre, leve e solto no Jockey Club de São Paulo. Dono de um dos maiores haras do país, o Old Friends, o executivo da Toyo Setal deu entrevista no canal interno da televisão da entidade logo após a vitória de Very Nice Moon, uma potranca de 3 anos invicta em cinco corridas, no Clássico Presidente Luiz Oliveira de Barros. “Muito obrigado a todos pela torcida”, disse, visivelmente mais magro. (Correio Braziliense)

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MILTON PASCOWITCH

A DELAÇÃO: Segundo Pascowitch, o contrato de consultoria entre a empresa dele, a Jamp Engenheiros Associados e a JD Consultoria, de propriedade de Dirceu, serviu ao pagamento de propina por contratos entre a Engevix e a Petrobras. Pascowitch disse que o ex-ministro exercia forte pressão para receber propina desses contratos.

O lobista também afirmou que usou a Jamp para pagar parte da compra da sede da empresa de Dirceu, a reforma de um apartamento em nome do irmão do ex-ministro, a reforma de outro imóvel cujo verdadeiro dono seria José Dirceu e a compra de uma casa para a filha dele. Ao todo, esses negócios teriam rendido ao ex-ministro, segundo Pascowitch, mais de R$ 2,7 milhões. (G1)

CONDENAÇÃO: Condenado a mais de 20 anos de prisão, o lobista Milton Pascowitch retirou sua tornozeleira eletrônica no dia 22/05/17 e ingressou no regime aberto.

DEVOLUÇÃO: Milton aceitou devolver R$ 40 milhões

Vive hoje sem restrição de liberdade (deve apenas apresentar relatório trimestral de atividades e prestar 28 horas semanais de serviços comunitários pelo período de dois anos.)

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DELCÍDIO AMARAL

A DELAÇÃO: De acordo com a revista “IstoÉ”, Delcidio contou que Dilma agiu para manter na Petrobras os diretores comprometidos com o esquema de corrupção e atuou para interferir no andamento da Operação Lava Jato.

Uma dessas ações, segundo o senador, foi a nomeação para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) do ministro Marcelo Navarro, que se teria se comprometido a votar, em julgamentos no tribunal, pela soltura de empreiteiros já denunciados pela Lava Jato.

A reportagem também afirma que outra tentativa de Dilma em interferir nas investigações se deu em uma reunião entre ela, o então ministo da Justiça e atual advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

Delcídio afirmou que Lula tinha conhecimento do esquema de corrupção que atuava na Petrobras, que agiu pessoalmente para barrar as investigações da Lava Jato e que seria o mandante do pagamento para tentar comprar o silêncio de testemunhas.

O ex-presidente, segundo Delcídio, foi o mandante dos pagamentos que o senador ofereceu à família de Cerveró e que resultaram na prisão do senador, em novembro.

De acordo com Delcídio, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai, porque estaria implicado nas delações do lobista Fernando Baiano e de Cerveró. (G1)

PRISÃO: Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), após ter ficado 87 dias na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

HOJE: No dia 11 de maio de 2016, ele teve seu mandato de Senador cassado. Nenhum senador votou contra a sua cassação. Em fevereiro do ano passado, já em liberdade, ele fez uma viagem de luxo para Jurerê (SC), onde realizou até mesmo passeios de lancha.


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