Blog do Mailson Ramos

A Lava Jato é a praça da execração midiática

A Lava Jato é a praça da execração midiática

A Lava Jato é a praça da execração midiática

Por mais que tenham sido abjetos e vis os crimes cometidos por Sérgio Cabral à frente do governo do Rio de Janeiro – que sofre com as mazelas da corrupção, mas também dos estaleiros vazios – conduzi-lo a correntes foi medieval.

O ex-governador do Rio de Janeiro é réu em 20 processos da Lava Jato. As denúncias apresentadas contra ele representam um modelo de administração do MDB baseado na obtenção de favores e propinas. Entretanto, a transferência de Cabral para Curitiba mostrou o quanto a Lava Jato pode ser autoritária e utilizar métodos medievais para execrar publicamente a uma pessoa.

Cabral foi conduzido ao IML de Curitiba acorrentado nas mãos, nos pés e portando um cinturão imobilizador. Os policiais federais encapuzados que o conduziam faziam parte do pacote constrangedor, de propaganda macabra, e que constrange não somente o preso, mas os direitos civis da pessoa humana. Aquela praça de execração midiática foi criada para alimentar a vazão de conservadorismo desta sociedade; para sufocar a saudade doentia que alguns brasileiros têm da ditadura, da tortura, da violência como punição.

Enquanto Sérgio Cabral é exposto às execrações públicas definidas não sabe por quem, Eduardo Cunha desfila de aeroporto para aeroporto carregando a sua própria mala, sem ser sequer cercado por policiais federais. Não quero com isso dizer que Cunha mereça ser humilhado assim como Cabral – ainda que ele tenha sido o responsável pela queda de Dilma e pela ascensão de um usurpador ao poder. Isso só mostra o conteúdo político ou pretenso reformador destas ações. Sob outra visão não há como explicar.

Conteúdo pretenso reformador por causa da “luta contra a corrupção”, a sanha messiânica contra os políticos, a ideia de que “a Justiça deve ser temida”. E é sob a proteção da mídia tradicional que florescem estas arbitrariedades. Porque ela se deleita com a putrefação da classe política, com a execração pública, com os espetáculos que a Lava Jato organiza para se manter sob os holofotes. Teremos uma operação policial que nunca acaba, propagandeada até em filme e musical de teatro.

E a Lava Jato vai contribuindo para o surgimento de um processo autoritário gerado e nascido no Judiciário das castas intocáveis. Não é uma simples crítica. É a sensação de que as liberdades civis estão sendo cassadas. Em nome do punitivismo doentio, a escalada irrefreável do autoritarismo mostrará mais tarde que nenhum político poderá – como antecipou Dilma Rousseff durante o impeachment – governar tranquilamente.

O preço a ser pago é a mais profunda derrota brasileira: seremos para todo o sempre um país de ciclos que cresce ao longo de treze anos e só precisa de dois anos para ser reduzido a pó.

1 Comentário

  • A imagem de um Estado opressor.
    Porém, será que isso não foi um teatro montado. E ele teria que ficar junto com o Cunha.
    Mas o Cunha que tem dossies contra membros do STF e de várias outras instancias do judiciários, inclusive acho que o Moro está nas mãos dele, sem contar os procuradores. O Cunha também tem dossies contra senadores, governadores, deputados, banqueiros, doleiros. Vem cá gente, vcs acham que o homem estaria preso, que permitiria que a esposa dele se agachasse três vezes em cima de um espelho e tossisse.
    Vejam nos videos, o cabral vem quieto com o meganhão segurando-o forte pelo braço. Ai bem em frente a câmera, começa a encenação
    (Cabral) —- Poderia apertar menos o meu braço porque está machucando.
    (Meganhão ou ator global) —- Agora vc é o nosso prisioneiro, não reclame.
    Parece atá fala decorada.
    Mas a dúvida é : Será que o Cunha está realmente preso.

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