Blog do Mailson Ramos

É Lula de novo!

Editorial | É Lula de novo!

É Lula de novo!

Lula é nordestino. Passou fome. Foi operário. Quem estaria mais perto do que somos e quem mais representaria os nossos anseios do que alguém como ele?

Em 1998 ouvia os mais velhos resmungarem: “Esse Lula vai levar o Brasil a uma guerra” ou “Lula é um revolucionário sem causa”. Mesmo no sertão, ouvia repetirem-se os mantras do conservadorismo contra aquele que “jamais ia vencer uma eleição porque era comunista”. Era difícil simpatizar com um homem barbudo, de voz rouca e que falava sempre com muita veemência. Mas foi o conhecimento (da política e da sociedade) que abriu os olhos de muitos de nós, jovens marginalizados, sem lenço e sem documento, num país entregue aos EUA e ao FMI.

Até surgir a constatação: É Lula!

Lula é nordestino. Passou fome. Não estudou. Foi operário. Quem estaria mais perto do que somos e quem mais representaria os nossos anseios do que alguém como ele? E ele veio e venceu. Provou que o Brasil poderia ser muito mais do que a sucursal dos Estados Unidos na América Latina. Mostrou que o jovem filho de carpinteiro pode ser um “doutor”.

Na singularidade do ser nordestino, deu à sua região mil motivos para sorrir. E nas estradas não se via mais criança pedindo esmolas; não se via gente cozinhando cactáceas e pequenos répteis, em fogão a lenha; não se via o choro das mães carregando um caixão de papelão para enterrar um bebê. Quem é nordestino sabe do que estou falando.

Foi Lula quem bateu na mesa e garantiu que ninguém mais passaria fome neste país. E nos rincões do Brasil, as mães de família iam com seus cartões retirar um auxílio para comprar “o que comer”. Assistencialismo? Sim, para quem nunca passou fome. Para quem já passou, a ajuda necessária para sobreviver. Quem nunca passou fome, ainda que tenha a total consciência da indignidade da condição, jamais compreenderá o que isso significa.

Do candeeiro à luz elétrica, da água barrenta dos açudes aos canos da água tratada, do menino indigente que virou professor, tudo tem a mão do Lula. A mão muitas achincalhada por um faltar um dedo, a mão que o protofascismo usa para dissimular e mentir. Este protofascismo que instala no Judiciário. Que atenta contra o direito e contra a Justiça. Porque Lula precisa ser condenado. E as vozes desta condenação tem o mesmo tom daquelas que eu ouvia outrora.

É preciso caçar este nordestino que deu ao pobre o gosto de viver.

Destruir tudo aquilo que ele representa: de 2016 (após a queda de Dilma) os brasileiros perderam direitos trabalhistas, perderam 20 anos de investimento em Saúde e Educação (PEC 55), estão prestes a perder a aposentadoria com a reforma da Previdência. O movimento pela direita gerou um caos que não se dissipa apenas com a saída de Michel Temer, aquele que age pelas sombras (nos subterrâneos do Jaburu).

Lula é o único político que quando fala de pobreza está falando de cátedra. E está de volta. Disputará estas eleições de qualquer jeito. Pelo voto ou pelo capital político. A classe média, que vociferou contra ele durante muitos anos, muda o discurso. As pesquisas são unânimes: É Lula de novo!

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